Condição ginecológica é comum entre mulheres e pode acarretar cólicas e infertilidade; saiba mais sobre o procedimento!
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto passou a realizar, desde janeiro, cirurgias robóticas para tratamento da endometriose — condição ginecológica frequente que pode causar dores intensas e infertilidade. Até o momento, a instituição registrou três procedimentos desse tipo. Em entrevista, o ginecologista e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, Júlio César Rose Silva, explicou a aplicação da tecnologia e os limites de sua indicação.
Implementação e histórico no hospital
O programa de cirurgia robótica do HC já existe há cerca de cinco anos, inicialmente voltado ao tratamento oncológico. Este ano, a equipe incorporou casos de endometriose, sobretudo formas avançadas da doença que exigem maior precisão cirúrgica. “A cirurgia robótica veio complementar o arsenal terapêutico do hospital”, disse o médico, lembrando que a tecnologia já era usada amplamente em pacientes com câncer antes de ser aplicada a essas pacientes.
Como funciona e quando é indicada
Contrariando a imagem de um autômato operando sozinho, o sistema robótico é sempre conduzido por um cirurgião. O especialista explicou que a plataforma melhora a destreza e a firmeza dos movimentos, permitindo procedimentos mais delicados. O cirurgião opera a partir de uma consola, controlando braços robóticos que reproduzem gestos finos no campo cirúrgico — o que pode ser feito mesmo à distância, mantendo a mesma precisão.
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Apesar dos benefícios, a cirurgia robótica não substitui a laparoscopia convencional, que permanece eficaz e indicada na maioria dos casos. Segundo Júlio César Rose Silva, o uso do robô é especialmente vantajoso em endometriose avançada, quando a complexidade do procedimento e o risco de complicações são maiores. Em situações menos complicadas, a laparoscopia tradicional continua sendo suficiente e recomendada.
Endometriose: sintomas e tratamento
O médico destacou que a endometriose afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva e pode provocar cólicas menstruais intensas, dor crônica, dor nas relações sexuais e, em muitos casos, infertilidade. “É uma doença que compromete significativamente a qualidade de vida”, afirmou.
O tratamento pode ser clínico — com medicamentos e terapias hormonais — e é capaz de controlar sintomas em cerca de 60% a 70% das pacientes. Quando o tratamento medicamentoso não é suficiente, a cirurgia torna-se opção. Ainda assim, nem todas as pacientes que precisam de cirurgia necessitam de abordagem robótica; a escolha depende do avanço da doença e da complexidade do caso.
O especialista aproveitou para lembrar que março é o mês de conscientização sobre a endometriose (Março Amarelo), ressaltando a importância do diagnóstico precoce e da divulgação para melhorar a assistência e a qualidade de vida das pacientes.
O uso da cirurgia robótica no HC representa uma ampliação das opções terapêuticas para mulheres com endometriose avançada, buscando reduzir complicações e melhorar a recuperação, sem substituir técnicas consolidadas que seguem sendo eficazes em muitos casos.



