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HC Ribeirão realiza a primeira cirurgia robótica de pâncreas em criança no mundo

Helena, de 7 meses, que é de Ribeirão, nasceu com hiperinsulinismo congênito, uma condição rara; procedimento foi feito pelo SUS
A primeira cirurgia robótica de pâncreas
Helena, de 7 meses, que é de Ribeirão, nasceu com hiperinsulinismo congênito, uma condição rara; procedimento foi feito pelo SUS

Helena, de 7 meses, que é de Ribeirão, nasceu com hiperinsulinismo congênito, uma condição rara; procedimento foi feito pelo SUS

Uma bebê de sete meses, A primeira cirurgia robótica de pâncreas em criança no mundo, diagnosticada com hiperinsulinismo congênito, foi a primeira criança no mundo a passar por uma cirurgia robótica no pâncreas. A condição rara provoca a produção excessiva de insulina pelo pâncreas, independentemente dos níveis de glicose no sangue, o que pode levar a episódios graves de hipoglicemia, especialmente em crianças pequenas.

No Brasil, apenas 164 pacientes convivem com o hiperinsulinismo congênito, segundo dados do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde o procedimento foi realizado. A doença genética foi descoberta na bebê após episódios repetidos de hipoglicemia, que exigiam a administração de glicose intravenosa para normalização dos níveis de açúcar no sangue.

“É uma doença genética na qual o pâncreas produz insulina independentemente do nível de glicose no sangue. Ela já está em casa há duas semanas e teve alta sem nenhuma medicação para controle da doença. A cirurgia foi absolutamente perfeita, de forma que hoje ela não apresenta nem glicose alta nem baixa”, afirmou o endocrinologista pediátrico Rafael Del Ruyo.

A cirurgia robótica, realizada por uma equipe multiprofissional do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, durou cerca de quatro horas e envolveu a remoção de 98% do pâncreas da bebê. O procedimento foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e exigiu adaptações técnicas devido ao tamanho reduzido do órgão e do corpo da criança.

“Quando usamos a pinça do robô dentro da cavidade abdominal, ela entra pelo que chamamos de trocarte, que é a porta de acesso à cavidade. Foi utilizado um portal de obeso, que normalmente é maior, mas pelo fato de seu diâmetro ser mais adequado para as pinças, permitiu o uso na cavidade menor da criança”, explicou o cirurgião da divisão de cirurgia pediátrica e transplante de fígado do hospital, Fabio Volpe.

Segundo Volpe, a cirurgia robótica oferece vantagens técnicas que reduzem as complicações e proporcionam resultados mais favoráveis, especialmente em casos que exigem a remoção de mais de 95% do pâncreas em crianças pequenas, cujo órgão pode medir entre seis e sete centímetros.

Após a cirurgia, a bebê não necessita de medicação para controlar a glicose, embora possa ser necessário, nos próximos meses, suplementar outras substâncias produzidas pelo pâncreas. A criança está em casa há duas semanas e apresenta estabilidade nos níveis de glicose.

Diagnóstico tardio e desafios no tratamento

O diagnóstico do hiperinsulinismo congênito em Helena, nome da bebê, demorou a ser realizado. A doença foi descoberta após a menina apresentar um quadro de bronquite aos três meses, momento em que os episódios de hipoglicemia começaram a ser identificados.

A mãe da criança, Lucy Maracosta, relatou a tensão vivida durante o período de tratamento e a preocupação ao saber que a filha seria a primeira criança do mundo a passar por uma cirurgia robótica no pâncreas.

“Eu fui tentando os medicamentos e não deram certo, até que veio a notícia de que tinha que fazer a cirurgia. Os 48 dias da UTI foram muito tensos, achei que ia perder ela, mas graças a Deus estou muito feliz de tê-la aqui comigo. Tenho esperança de que ela terá uma vida normal, vai andar e falar. Tenho muita fé de que tudo vai dar certo”, disse a mãe.

Importância da cirurgia robótica em pediatria: A cirurgia robótica representa um avanço significativo no tratamento de doenças complexas em crianças, como o hiperinsulinismo congênito. A precisão e a menor invasividade do procedimento contribuem para a redução de riscos e a melhoria do prognóstico.

O uso do robô permitiu a realização de uma cirurgia delicada em uma paciente muito pequena, com um órgão de dimensões reduzidas, possibilitando a retirada quase total do pâncreas com segurança.

Perspectivas para o futuro: Embora a cirurgia tenha sido curativa para o hiperinsulinismo, a equipe médica destaca que a criança poderá necessitar de suplementação de outras substâncias produzidas pelo pâncreas nos próximos meses. O acompanhamento contínuo será fundamental para garantir a saúde e o desenvolvimento adequados.

O caso de Helena abre caminho para que a cirurgia robótica seja considerada uma opção viável e segura para o tratamento de doenças pancreáticas em crianças pequenas, especialmente quando procedimentos tradicionais apresentam maiores riscos.

Entenda melhor

O hiperinsulinismo congênito é uma condição genética rara que causa a produção excessiva de insulina pelo pâncreas, levando a níveis perigosamente baixos de glicose no sangue. O tratamento pode incluir medicamentos, mas em casos graves, como o da bebê Helena, a cirurgia para remoção parcial do pâncreas é necessária. A cirurgia robótica oferece maior precisão e menor invasividade, sendo uma inovação importante para pacientes pediátricos.

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