Médico hematologista, Gil Cunha de Santis, explica quem pode doar e qual a função do plasma convalescente no paciente
O governo de São Paulo anunciou a criação de uma rede com cinco grandes hemocentros estaduais para o tratamento de pacientes com Covid-19, incluindo o hemocentro de Ribeirão Preto.
Doação de sangue e plasma
A doação de plasma convalescente, feita por meio de uma máquina de aférese, pode ser realizada 15 dias após a recuperação completa da Covid-19. Já a doação convencional de sangue pode ser feita após um mês. O hemocentro questiona os doadores sobre histórico de Covid-19 para orientá-los sobre a possibilidade de doação de plasma.
Pesquisa e uso do plasma
O hemocentro de Ribeirão Preto, em conjunto com outras instituições, conduziu pesquisas sobre o uso do plasma convalescente. Estudos, como um realizado na Argentina, demonstram o benefício do uso do plasma nos primeiros dias da infecção, principalmente em pacientes com comorbidades ou idosos. A aplicação precoce visa bloquear a proliferação do vírus e reduzir danos aos órgãos. O plasma também pode ser usado na produção de soro imune.
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Seleção de doadores e pacientes
Para doar plasma, é necessário ter tido a doença em forma leve ou moderada, sem sequelas. Pacientes com Covid-19 grave geralmente não podem doar. A seleção de pacientes para receber o plasma considera fatores como idade avançada e comorbidades, como diabetes, hipertensão e doenças coronarianas. O tipo sanguíneo do doador não é um fator determinante, sendo necessário plasma de todos os tipos sanguíneos. Entretanto, estudos indicam que indivíduos do grupo sanguíneo A têm maior risco de desenvolver a forma grave da doença.
A iniciativa da rede de hemocentros demonstra um esforço para aprimorar o tratamento da Covid-19, utilizando o plasma convalescente como ferramenta terapêutica e contribuindo para pesquisas futuras.



