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Hemocentro patentia um dos medicamentos mais usados para tratar hemofilia

Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
Hemocentro patentia hemofilia
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Uma pesquisa de 10 anos no hemocentro rendeu ao Brasil a patente para a produção do fator VIII, uma proteína essencial para a coagulação sanguínea. Atualmente importada da França a um alto custo, a produção nacional promete ser mais acessível para os mais de 11 mil hemofílicos no país, que necessitam em média de três doses semanais para evitar sangramentos.

A Luta Diária de um Hemofílico

O biomédico Ícaro Grégio Coelho, que convive com a hemofilia desde a infância, compartilha os desafios da doença. “Desde criança a vida é limitada. A infância é muito difícil, com deslimitações por causa dos sangramentos”, relata. Para um menino que quer jogar bola, brincar e fazer as coisas normais que toda criança faz, é difícil por conta desses sangramentos, nas articulações, nos músculos. O fator VIII é o que dá a qualidade de vida para a gente. Hoje eu faço uma profilaxia, que é medicamento, eu tomo três vezes por semana, segunda, quarta e sexta, para ter essa qualidade de vida que eu não tinha antes. Então ele faz a coagulação do sangue, que as pessoas normais têm o fator VIII e a gente hemofílico não tem.”

A Ciência por Trás da Inovação

A pesquisadora Virginia Picanso Castro destaca a importância do estudo para a medicina e para os pacientes. “Os primeiros ensaios começaram há dez anos, desenvolvendo vetores, que são pedaços de DNA que conseguimos colocar dentro de uma célula para produzir esse fator em culturas de células. Aos poucos fomos aprimorando, e hoje conseguimos produzir uma quantidade razoável em laboratório.”

Próximos Passos e Desafios

Com a patente aprovada, o próximo passo é encontrar investidores para viabilizar a produção em larga escala no Brasil. Segundo o Hemocentro, os custos giram em torno de 60 milhões de dólares. “Nossa função foi desenvolver o processo, entrar com a patente, e atrásra precisamos de alguma empresa, alguma farmacêutica interessada nesse procedimento para que possamos licenciar essa patente”, explica a pesquisadora. Ainda não há previsão de quando o medicamento estará disponível para os pacientes brasileiros.

O desenvolvimento representa um avanço significativo para a medicina brasileira e oferece esperança para os hemofílicos, com a promessa de um tratamento mais acessível e com menos reações adversas, já que utiliza células humanas na produção, diferente dos produtos existentes no mercado.

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