Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com o médico Fernando Nobre
Idosos são definidos de forma distinta conforme o grau de desenvolvimento dos países: em nações em desenvolvimento, Hipertensão arterial é o tema da coluna desta semana, como o Brasil, considera-se idoso quem tem 60 anos ou mais, enquanto em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, essa classificação é aplicada a pessoas com 65 anos ou mais.
A hipertensão arterial é uma doença crônica caracterizada pela elevação persistente da pressão sanguínea, que geralmente não apresenta sintomas perceptíveis até que ocorra dano a órgãos vitais. Os principais órgãos-alvo da hipertensão não controlada são os rins, o cérebro, o coração e as artérias.
Impactos da hipertensão nos órgãos-alvo
Nos rins, a pressão arterial elevada e não controlada pode levar à progressão para estágios avançados de doença renal crônica, podendo culminar na necessidade de tratamentos como a hemodiálise. No cérebro, a hipertensão é um fator de risco importante para acidentes vasculares cerebrais (AVC), que são mais frequentes em pacientes hipertensos não tratados. No coração, a pressão alta contribui para o desenvolvimento de infartos e insuficiência cardíaca. Além disso, as artérias sofrem alterações estruturais e funcionais que agravam o quadro cardiovascular.
Leia também
Benefícios do tratamento da hipertensão em idosos: O tratamento e o controle adequados da pressão arterial são fundamentais para reduzir a incidência de complicações graves. Estudos indicam que o controle da hipertensão pode diminuir em cerca de 40% o risco de AVC e em aproximadamente 25% o risco de infarto do miocárdio. Até a década de 1970, havia controvérsias sobre os benefícios do tratamento em idosos, pois acreditava-se que uma pressão arterial mais elevada poderia ser necessária para manter a circulação sanguínea adequada nessa faixa etária.
Entretanto, pesquisas realizadas a partir daquela época demonstraram que o tratamento da hipertensão em idosos reduz a mortalidade e as complicações associadas, com uma diminuição de cerca de 30% nos principais eventos relacionados à pressão alta. Estudos mais recentes focaram em idosos com mais de 75 anos e confirmaram que o controle da pressão arterial nessa população também proporciona benefícios significativos, incluindo a redução de eventos como insuficiência cardíaca, AVC, doença renal e infarto.
Importância das avaliações periódicas: Considerando o aumento da expectativa de vida e o crescimento da população idosa, é fundamental que essa faixa etária realize avaliações médicas regulares para a detecção precoce e o tratamento de doenças comuns, especialmente a hipertensão arterial. O acompanhamento contínuo permite o controle adequado da pressão, contribuindo para a prevenção de complicações e promovendo maior longevidade e qualidade de vida.
Considerações finais sobre o manejo da hipertensão em idosos
O manejo da hipertensão em idosos deve ser individualizado, considerando as condições clínicas e as comorbidades de cada paciente. A adesão ao tratamento, que pode incluir mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos, é essencial para alcançar os benefícios observados nos estudos. Profissionais de saúde devem orientar e monitorar os pacientes para garantir a eficácia e a segurança do tratamento.
Entenda melhor
A hipertensão arterial é uma condição silenciosa que pode causar danos graves se não for tratada adequadamente. O acompanhamento médico regular e o controle da pressão arterial são essenciais para prevenir complicações, especialmente em idosos, cuja população está crescendo globalmente.



