Jornalista e historiadora fala da chegada de Gasparini a Ribeirão Preto, ainda como radialista, vindo de Batatais
O quadro “Cidade e suas histórias” não será exibido hoje. Em seu lugar, a historiadora Adriana Silva conversou sobre a trajetória de Elson Gasparini e sua importância para a formação política e social de Ribeirão Preto.
Da comunicação à política
Antes de se tornar homem público, Gasparini construiu carreira na comunicação. Foi na rádio — especialmente na Rádio 79, inaugurada em 1953 — que consolidou a imagem que o levaria à política. Inicialmente vinculada a projetos do PTB, a emissora passou por mudanças societárias que resultaram na participação de funcionários entre os proprietários, incluindo Gasparini.
Como locutor, desenvolveu programas de grande apelo popular. Um quadro curioso e célebre era a contagem de quantas vezes um “galo” soava durante a programação, atraindo a atenção dos ouvintes até o desfecho do programa. Essa proximidade e irreverência ampliaram sua visibilidade e contribuíram para que, ainda jovem, fosse eleito prefeito por quatro mandatos.
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Atuação jornalística e compromisso social
Gasparini não foi apenas apresentador: atuou também como repórter. A emissora contava com uma estrutura de campo — lembrada pela presença de um antigo Citroën usado para coberturas — e buscava ouvir a comunidade. A rádio assumia um viés social, promovendo campanhas para arrecadação de alimentos, cobertores e outros atendimentos às necessidades locais. Essa atuação aproximou-o das realidades da população e consolidou sua imagem como figura pública engajada.
Trajetória pública e legado
Além da comunicação e da prefeitura, Gasparini teve formação intelectual e carreira diversificada: foi advogado, prestou serviços a grupos de usinas em Ribeirão Preto e participou ativamente de mobilizações trabalhistas, como o levante e greve em Guariba, onde atuou como articulador e mediador. Ocupou cargos na Assembleia, na associação de municípios e teve participação em instâncias políticas estaduais e nacionais.
Autores como Divo Marino o citam entre personagens do populismo econômico brasileiro, ressaltando o papel central que a rádio teve em sua ascensão. Mesmo quando exercia mandato executivo, retomava a atividade radiofônica após os períodos na prefeitura. Perfil de família e militância católica também marcaram sua trajetória, com forte ênfase em valores familiares em sua atuação política.
O resgate desta trajetória hoje funciona como homenagem e como registro da conexão entre comunicação, mobilização social e exercício do poder em Ribeirão Preto, apontando aspectos relevantes para a memória política da cidade.



