Em Ribeirão Preto, por exemplo, remédio só é encontrado no Hospital das Clínicas
Na semana em que um menino de três anos morreu em Miguelópolis após ser picado por um escorpião, a família acusou a prefeitura alegando falta de soro anti-escorpiônico no pronto-socorro. A secretária de saúde de Miguelópolis, Adíbi Abrão, confirmou a ausência do medicamento.
A tragédia em Miguelópolis e a busca por respostas
O caso gerou comoção e mobilizou as autoridades. A secretária de saúde declarou estar investigando o ocorrido junto à vigilância sanitária, buscando evitar novas tragédias, embora reconheça a impossibilidade de reverter a situação da criança falecida.
Uma nova abordagem para o tratamento de picadas de escorpião?
Uma pesquisa desenvolvida na USP de Ribeirão Preto aponta para um novo método de tratamento: o uso de anti-inflamatório. A professora Karina Furlani-Zocal, que participou do estudo, explica que testes em camundongos mostraram resultados positivos, com reversão de complicações pulmonares e, em alguns casos, até mesmo da mortalidade. A pesquisa, coordenada pela professora Lucia Helena Facioli, da Faculdade de Farmácia da USP, utilizou inicialmente animais e depois células humanas. Apesar dos resultados promissores, a pesquisadora ressalta que mais estudos são necessários antes da aplicação em humanos.
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Soro anti-escorpiônico: essencial, mas nem sempre necessário
Embora a pesquisa sugira uma alternativa, a professora Karina Furlani afirma que o soro anti-escorpiônico continua sendo um tratamento importante, mas seu uso depende da gravidade do caso. A aplicação do soro varia conforme a condição do paciente, sendo um protocolo padrão, mas não obrigatório em todos os casos de picada.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que o soro é fornecido pelo Ministério da Saúde, cabendo aos estados a organização da distribuição. Em São Paulo, o soro é direcionado principalmente para cidades maiores, enquanto moradores de cidades menores são encaminhados a centros com o medicamento disponível. No caso de Miguelópolis, o menino foi transferido para Ituverava, mas infelizmente não resistiu. Em Ribeirão Preto, o soro é aplicado apenas na unidade de emergência do Hospital das Clínicas, sendo cada município sem o medicamento direcionado a um polo regional para atendimento.



