Chefe de setor do HC, Belinda Simões conversou com a CBN Ribeirão
A demora na liberação de leitos para transplante de medula óssea é uma questão complexa, frequentemente mal compreendida. Ao contrário do que se imagina, não se trata apenas de disponibilizar uma cama qualquer. Leitos para transplante exigem condições especiais, como quartos individuais com sistema de filtragem de ar, para proteger o paciente durante o período de imunossupressão.
A Realidade dos Leitos no Brasil
Atualmente, o Brasil dispõe de cerca de 380 leitos para transplante de medula óssea, um número absolutamente insuficiente para atender a demanda de quase 200 milhões de habitantes. Existem diferentes tipos de transplante: autólogo (o paciente é o próprio doador), alogênico aparentado (irmão ou irmã como doador) e alogênico não aparentado. O Brasil realizou cerca de 250 transplantes não aparentados no ano passado, evidenciando a necessidade urgente de expansão da infraestrutura.
O Desafio do Aumento de Doadores vs. Leitos
Há alguns anos, a principal barreira para transplantes era a escassez de doadores. O governo investiu no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), que saltou de 135 mil doadores em 2005 para mais de 3 milhões em 2013. No entanto, esse aumento significativo de doadores não foi acompanhado pela expansão do número de leitos. A falta de leitos adequados impede que pacientes recebam o transplante a tempo, levando, em alguns casos, ao óbito ou à progressão da doença.
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Complexidade e Custos Envolvidos
A criação de um leito para transplante não é simples nem barata. Requer adaptações específicas, como a instalação de sistemas de filtragem de ar e a presença de uma equipe médica especializada. A complexidade do processo se estende à manutenção do cadastro de doadores, que exige um acompanhamento constante para garantir a atualização dos dados. Campanhas de doação são importantes, mas a efetividade a longo prazo depende da capacidade de localizar e contatar os doadores quando surge uma necessidade.
Embora existam desafios significativos, o país tem demonstrado capacidade de avançar na área de transplantes. A conscientização sobre a importância da doação e o investimento em infraestrutura são passos cruciais para garantir que mais pacientes tenham acesso a esse tratamento vital.



