CBN Ribeirão 90,5 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe

Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto recruta voluntários para doação de rins

Elen Romão, coordenadora da Unidade de Transplante Renal do HC, fala dos benefícios ao paciente do transplante entre vivos
Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto
Elen Romão, coordenadora da Unidade de Transplante Renal do HC, fala dos benefícios ao paciente do transplante entre vivos

Elen Romão, coordenadora da Unidade de Transplante Renal do HC, fala dos benefícios ao paciente do transplante entre vivos

O primeiro receptor de um rim de porco geneticamente modificado morreu neste fim de semana, cerca de dois meses após a cirurgia realizada nos Estados Unidos. O caso reacende o debate sobre transplantes experimentais e sobre a escassez de órgãos disponíveis para pacientes com insuficiência renal.

Mortes e inovações em transplante

A cirurgia experimental, que utilizou um rim de suíno modificado, havia sido apontada como um avanço potencial para ampliar o número de órgãos disponíveis. A morte do paciente, entretanto, demonstra que a técnica ainda enfrenta desafios clínicos e éticos. Especialistas afirmam que são necessários seguimentos mais longos e estudos controlados para avaliar riscos, benefícios e segurança antes de uma adoção mais ampla.

Retomada de transplantes entre vivos em Ribeirão Preto

No Brasil, centros como o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto mantêm práticas consolidadas de transplante renal entre humanos. A unidade retomou recentemente procedimentos de doador vivo após três anos de suspensão provocada pela pandemia. Um caso emblemático foi o da mãe Fratiane, de 42 anos, que doou um rim ao filho Marcos, de 9 anos — um exemplo da eficiência e da segurança do transplante programado entre vivos quando há compatibilidade.

A coordenadora da unidade de transplante renal do hospital, a nefrologista Ellen Romão, explica que o processo inicia com a avaliação do paciente em falência renal, geralmente em diálise, e segue por uma triagem clínica detalhada. O receptor passa por uma bateria de exames e, se apto, é inscrito na lista de transplante. No caso de doador vivo, a cirurgia pode ser agendada assim que doador e receptor se mostrarem compatíveis, o que tende a acelerar o processo e melhorar os desfechos.

Deficiência de doadores e orientação para famílias

No Brasil, cerca de 153 mil pessoas fazem hemodiálise diariamente. Em São Paulo, apenas 21 mil estão inscritas no programa de doação de órgãos. Segundo Romão, um dos principais entraves é a recusa familiar: no estado, 36% das famílias não autorizam a doação, mesmo quando o potencial doador poderia salvar várias vidas. A médica ressalta a importância de o próprio interessado manifestar, em vida, o desejo de doar órgãos para aliviar a família do peso da decisão em um momento de luto.

O hospital também destaca os procedimentos de avaliação do doador vivo, que incluem exames clínicos, avaliação de riscos futuros ao doador e testes de compatibilidade sanguínea e genética. Doadores potenciais podem ser parentes próximos, como pais ou irmãos, e são acompanhados por equipes multidisciplinares para garantir segurança para ambos.

Pacientes em estágio de possível transplante ou interessados em obter informações podem agendar consulta no centro transplantador do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (16) 3602-2010, no período da manhã.

O episódio internacional com o rim suíno coloca em evidência a necessidade complementar de ampliar doações humanas e aprimorar pesquisas responsáveis, ao mesmo tempo em que centros consolidados seguem atuando para reduzir filas e melhorar o acesso a transplantes.

Veja também

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.