Unidade de Emergência do HC teve ocupação de 148% nesta quarta (24); Santa Casa solicitou que paciente não sejam encaminhados
A rede de saúde de Ribeirão Preto opera acima da capacidade em hospitais essenciais da cidade, situação que vem gerando filas, transferências pendentes e atendimento prejudicado para pacientes em condição grave ou em crise. Profissionais, usuários e a gestão municipal apontam aumento simultâneo de doenças transmissíveis como principal causa da sobrecarga.
Unidades hospitalares no limite
Dados públicos do painel de ocupação do Hospital das Clínicas mostram a sala de urgência adulta com 148% de ocupação, segundo consulta disponível na internet. A UTI adulta e a urgência pediátrica também registraram lotação ou se aproximaram do limite, com setores chegando a 100% em diversos momentos. Na Santa Casa, a pressão foi tamanha que a própria unidade pediu à regulação municipal que suspendesse por 24 horas o encaminhamento de novos pacientes até restabelecer a capacidade de atendimento. Enquanto isso, pacientes aguardam vagas de transferência sem previsão.
Causas apontadas e relatos de usuários
Autoridades e profissionais atribuem a sobrecarga ao aumento de casos de dengue, covid-19, influenza e outras infecções respiratórias, além do consequente impacto pediátrico relacionado ao vírus sincicial respiratório (VSR). Relatos recebidos durante a programação da rádio indicam longas esperas por atendimento, faltas de médicos em plantão, atrasos de ambulâncias e pacientes pediátricos em crise sem medicação por horas.
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O professor José Sebastião dos Santos destacou que parte do problema está em internações prolongadas ou desnecessárias e na falta de resolutividade de atendimentos eletivos, que fazem com que pacientes acabem buscando a porta de urgência. Para ele, a solução passa por melhorar a prática profissional e o desempenho das unidades básicas de saúde e dos serviços hospitalares contratados, e não apenas pela ampliação de unidades de pronto atendimento.
Medidas da administração e das unidades
A Santa Casa informou que enfrenta elevada demanda por casos de covid-19 e influenza e que adotou medidas para ampliar a capacidade de atendimento. O Hospital das Clínicas ainda não havia se manifestado publicamente até a última atualização. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde alertou para a sobrecarga do sistema, ressaltando que as UPAs representam a ponta de atendimento e que os leitos hospitalares são destinados a casos mais graves.
Segundo a secretaria, o volume de atendimentos nas unidades de pronto atendimento está 35% maior em relação ao mesmo período do ano passado. Para responder à crise, foram reforçadas equipes assistenciais, coordenados esforços para garantir disponibilidade de leitos regulatórios e abertos leitos extras para suprir a demanda.
O quadro expõe a tensão entre capacidade hospitalar e necessidades de prevenção na comunidade; profissionais pedem reforço na atenção primária e medidas de prevenção para reduzir a procura por urgência e evitar novas sobrecargas.



