Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
O Hospital Psiquiátrico Caibar Schuett, localizado em Araraquara, enfrenta uma grave crise financeira que o forçou a suspender o atendimento a novos pacientes. A instituição acumula uma dívida superior a R$ 3 milhões e já demitiu 40 funcionários em um esforço para reduzir custos.
Dívidas e Salários Atrasados
A situação é tão crítica que os funcionários remanescentes estão com o 13º salário do ano anterior pendente. Kátia Brizolari, coordenadora de enfermagem, expressa esperança em uma reversão do quadro. “Esses pacientes precisam do nosso atendimento e do nosso trabalho. Acreditamos que essa situação vai se reverter e melhorar. Estamos aqui lutando por essa causa e temos esse propósito. Isso que nos fortalece”, afirma.
Acordo Descumprido com Municípios
Há três anos, um acordo firmado entre o Ministério Público e 24 cidades que encaminham pacientes ao hospital previa o repasse de valores mensais, proporcionais à população de cada município, para auxiliar nas despesas. No entanto, a maioria das cidades não cumpriu o acordo. Entre os inadimplentes estão Boa Esperança do Sul, Descalvado, Dourado, Matão, Porto Ferreira, São Carlos e Trabiju, que deveriam contribuir com o valor mínimo de R$ 171 por mês. Em 2014, apenas Araraquara e Santa Lúcia realizaram os repasses.
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Infraestrutura Comprometida
Além dos problemas financeiros, uma das alas do hospital foi inundada no início do ano. Segundo Nelson Fernandes Jr., diretor-presidente do Caibar Schuett, “Como teve muita água ao mesmo tempo, o telhado cedeu e aí a gente acabou com o madeiramento comprometido. Se houver uma nova chuva numa intensidade como a que veio, aí tem o risco do desabamento.” Fernandes estima que seriam necessários mais de R$ 400 mil para a reforma. Mensalmente, o hospital consome R$ 280 mil, dos quais 60% são provenientes do Ministério da Saúde.
Resposta das Prefeituras
As prefeituras de Porto Ferreira, Matão e São Carlos informaram que, como o Hospital Psiquiátrico Caibar Schuett é uma referência regional, o atendimento é realizado por meio de convênio, e o repasse de verbas é feito via Fundo Nacional, isentando os municípios. As Secretarias de Saúde de São Carlos e Porto Ferreira declararam desconhecer o acordo e afirmaram que, se necessário, a unidade deve contatá-las para solicitar o convênio.
Diante deste cenário, a instituição busca alternativas para superar as dificuldades e continuar prestando seus serviços à comunidade.



