João Túbero recebe Roberto Braga, ex-coordenador da base do Cruzeiro no programa ‘Nas Quatro Linhas’
O programa Nas Quatro Linhas, da CBN Ribeirão Preto, debateu as categorias de base e a formação de atletas no futebol brasileiro. O convidado, Roberto Braga, mestre em Ciência da Motricidade e com vasta experiência em clubes nacionais e internacionais, trouxe insights relevantes sobre o tema.
Contexto e Modelos de Formação
Braga destaca a importância de entender o contexto de cada clube – cenário competitivo, investimento, ambições e projeto – para definir o processo de formação. Ele argumenta que não existe um modelo único, pois fatores como investimento e objetivos institucionais influenciam diretamente na metodologia. A discussão abrange a formação de jogadores de acordo com um modelo de jogo específico do clube ou a introdução a diferentes modelos, permitindo maior adaptação futura. Braga defende a necessidade de uma linha guia, com treinadores e metodologia que orientem o processo, mas sem rigidez excessiva, permitindo a adaptação a diferentes situações de jogo.
Aspectos Geracionais e Éticos
A entrevista também aborda a dimensão geracional, enfatizando as diferenças entre as gerações de atletas e a necessidade de adaptação dos profissionais. Braga destaca a importância de entender o mundo dos jovens atletas, sua comunicação e forma de ver o mundo, para uma formação mais eficaz. Ele ressalta a necessidade de uma abordagem ética, considerando o tempo que os jovens passam fora do campo, e a importância de construir núcleos de desenvolvimento humano com apoio de profissionais como assistentes sociais e psicólogos.
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Formação no Brasil e o Mito da “Rua”
Por fim, o programa discute a formação de jogadores no Brasil, questionando a narrativa de que os atletas se formam apenas nas ruas. Braga discorda dessa visão, reconhecendo as lacunas existentes, mas defendendo a qualidade e a complexidade do processo de formação brasileiro. Ele destaca o sucesso de jogadores brasileiros em grandes clubes europeus como prova da eficácia do sistema, mesmo com espaço para melhorias. A conversa finaliza com a comparação entre a formação brasileira, que parte do jogador para construir a ideia de jogo, e a de outros países, onde a ideia de jogo prevalece sobre as características individuais dos atletas.
A entrevista com Roberto Braga ofereceu uma visão abrangente e reflexiva sobre a formação de atletas no futebol brasileiro, destacando a importância do contexto, da ética e da adaptação às novas gerações. O debate reforça a complexidade do processo e a necessidade de uma abordagem holística, que considere não apenas o desempenho em campo, mas também o desenvolvimento integral do jovem atleta.