Paciente chegou a aguardar vaga dentro de ambulância no pátio da Unidade de Emergência; HC disse que está com aumento na demanda
Uma idosa de 78 anos, com diagnóstico de câncer, passou dois dias alternando entre a UPA e o interior de uma ambulância enquanto aguardava uma vaga para internação no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. O caso, segundo familiares, não é isolado: pacientes com necessidade de internação têm permanecido em condições precárias à espera de leitos na rede pública.
O relato da família e a rotina de espera
Rafael Borges, administrador, conta que a mãe passou mal no sábado e foi levada à unidade de emergência em busca de uma vaga. Como não houve disponibilidade, retornaram para casa; no domingo ela voltou a passar mal e foi encaminhada à UPA do Ossumarezinho. A família relata que a paciente aguardou dentro da ambulância no pátio da UPA enquanto esperava a liberação de um leito.
“A demora e a aflição são grandes. Imagina ficar várias horas dentro de uma ambulância, ainda mais com o calor dos últimos dias”, disse Rafael. No sábado chegaram a aguardar cinco ambulâncias; ontem, segundo o familiar, havia sete pacientes na mesma situação.
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Vaga zero: como funciona e os problemas gerados
O chamado sistema de “vaga zero” é utilizado quando não há leito disponível em hospital especializado, mas o paciente é encaminhado e permanece próximo à unidade até que surja uma vaga. A intenção é ocupar rapidamente o leito quando ele for liberado, mas a prática tem gerado longos períodos de espera em ambulâncias e no pátio das UPAs.
Rafael afirma que a prioridade de atendimento segue ordem de chegada ou gravidade: “Se chega alguém com trauma, passa na frente. Eles mandam pacientes com um ‘leito zero’, e a ambulância fica aguardando. Parece uma burocracia desnecessária”.
Capacidade hospitalar e posicionamento oficial
Em nota, o Hospital das Clínicas informou que, desde 1º de maio, há um aumento na demanda por internações. Nesta segunda-feira, a sala de emergência adulto operava a 160% da capacidade, a CTI adulto a 110% e as enfermarias a 100% de ocupação. A instituição afirmou ainda que, no momento em que a reportagem foi produzida pela IPTV, três pacientes aguardavam em ambulâncias no pátio em situação grave.
A Secretaria de Estado da Saúde não foi localizada para responder especificamente sobre o caso relatado pela família de Rafael e sobre outros pacientes que aguardam na condição de vaga zero.
Famílias e profissionais de saúde apontam que a sobrecarga no sistema tem provocado esperas prolongadas e situações de risco, enquanto a demanda por leitos permanece acima da capacidade disponível.



