Dona Francisca chegou a ser trocada de ambulância cinco vezes por conta das mudanças de turno dos profissionais do Samu
Uma idosa de 90 anos passou cerca de 14 horas dentro de ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Ribeirão Preto, Idosa de 90 anos fica 14 horas aguardando dentro de ambulâncias por vaga de internação no HC, aguardando uma vaga para internação no Hospital das Clínicas (HC). A situação ocorreu entre a noite de sexta-feira, 13, e a tarde de domingo, quando a paciente finalmente conseguiu ser internada na unidade de emergência do hospital.
A paciente, identificada como dona Francesca, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há dois anos e desde então vinha tratando sequelas no Hospital das Clínicas e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na sexta-feira passada, ela passou mal e foi levada pela filha, Silvia, para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste de Ribeirão Preto, onde recebeu os primeiros atendimentos e permaneceu internada até o sábado.
Transferência e falta de vagas: Devido à gravidade do quadro, o médico responsável solicitou a transferência de dona Francesca para a unidade de emergência do Hospital das Clínicas, por meio do sistema Cross, que gerencia vagas hospitalares. Foi sinalizada uma “vaga zero” para a paciente, o que significa que ela deveria ser transferida imediatamente para internação.
Por protocolo, a transferência foi realizada de ambulância no sábado à noite. No entanto, ao chegar ao HC próximo da meia-noite, a filha foi informada de que a vaga não estava mais disponível. Desde então, dona Francesca e sua filha passaram por uma série de transferências entre ambulâncias do Samu, totalizando cinco trocas, devido à troca de profissionais do serviço.
Condições durante a espera: Durante as horas de espera, a idosa permaneceu na maca da ambulância, local sem conforto adequado para uma paciente da sua idade e condição. Silvia relatou que a mãe não se alimentava desde antes da saída da UPA Oeste, e que precisou solicitar comida na recepção do Samu, mas não havia alimentação disponível para a paciente naquele momento.
A situação só começou a se resolver após a chegada da polícia, que registrou um boletim de ocorrência por volta das 14 horas do domingo. Quinze minutos após o registro, uma vaga foi disponibilizada para dona Francesca, que foi então encaminhada ao Hospital das Clínicas para internação e realização de exames.
Atendimento e exames realizados: Após a internação, a paciente passou por exames de raio-X e tomografia para avaliação do seu estado de saúde. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o diagnóstico ou o prognóstico da idosa.
Posicionamento do Hospital das Clínicas
Em nota, o Hospital das Clínicas informou que, mesmo com a criação recente de 23 novos leitos, 30 pacientes foram encaminhados para a chamada “vaga zero” devido à falta de leitos disponíveis. A instituição destacou o desafio contínuo de equilibrar a demanda emergencial com a capacidade de atendimento.
A Secretaria de Saúde do Estado foi procurada para comentar o caso, mas não retornou até o momento.
Entenda melhor
O sistema de “vaga zero” é utilizado para sinalizar a necessidade urgente de internação hospitalar, mas a falta de leitos disponíveis pode causar atrasos e transferências prolongadas, como no caso relatado. Pacientes em situação de emergência muitas vezes enfrentam longas esperas, o que pode agravar seu estado de saúde.
Casos semelhantes já foram registrados em Ribeirão Preto, com relatos de pacientes que não conseguiram atendimento a tempo e vieram a falecer. A situação evidencia a sobrecarga do sistema público de saúde e a necessidade de ampliação da capacidade de atendimento.



