Mulher ficou sete horas na espera por atendimento; bebê esperou três dias por internação e foi colocada em vaga adulta
Uma idosa de 88 anos morreu na UPA de Sertãozinho após esperar por atendimento desde as 15h da tarde anterior. Sua filha relatou ter implorado por ajuda médica, enquanto a idosa sofria de infecção urinária e fortes dores. Apesar de um médico ter iniciado o atendimento, outra pessoa interrompeu para atender outro paciente, e a idosa faleceu antes de receber o medicamento prescrito. A filha afirma ter percebido o óbito antes da equipe médica.
Demora no Atendimento e Falta de Vagas
O caso da idosa não é isolado. Uma mãe, Carolini, relatou esperar sete horas por atendimento para seu filho de dois meses na mesma UPA. A superlotação do único hospital da cidade que recebe pacientes do SUS, a Santa Casa de Sertãozinho, agrava a situação, com pacientes aguardando por leitos por dias. Joice Lima dos Santos perdeu a filha de 10 meses após três dias de espera por uma vaga, sendo inicialmente encaminhada para um leito de idosos.
Mortes em Fila de Espera e Situação em Outras Cidades
Em Franca, a situação é similar, com pelo menos 40 pacientes aguardando vagas em hospitais. Paulo, após quatro dias de espera em um pronto-socorro, morreu no dia em que finalmente conseguiu uma vaga na Santa Casa. Outra mulher de 41 anos também faleceu após cinco dias esperando por internação. A Santa Casa de Franca, único hospital da cidade que recebe a maioria dos pacientes do SUS, está sobrecarregada devido ao aumento da demanda e à falta de pronto-socorros 24 horas em cidades vizinhas. Em Ribeirão Preto, as UPAs também enfrentam superlotação, com aumento significativo de atendimentos, principalmente de crianças, devido a problemas respiratórios, síndrome mão-pé-boca, gripe e dengue. Apesar do aumento de atendimentos, a prefeitura afirma ter planos de contingência e não prevê colapso do sistema.
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A Secretaria de Saúde de Sertãozinho ainda não se pronunciou sobre os casos. Em Franca, a prefeitura busca aumentar o número de vagas em hospitais, enquanto em Ribeirão Preto, há um pedido de reativação de leitos pediátricos. Os departamentos regionais de saúde se solidarizam com as famílias e afirmam que a transferência de pacientes depende da condição clínica e da disponibilidade de vagas, priorizando os casos mais graves. A situação demonstra a necessidade urgente de melhorias no sistema de saúde, com investimentos em infraestrutura e recursos para evitar novas tragédias.


