Uma idosa de 88 anos, resgatada na semana passada de uma casa de repouso irregular em Ribeirão Preto, foi enterrada nesta terça-feira (31) no Cemitério da Saudade. Nair Ramos estava internada havia cinco dias na Santa Casa com uma grave infecção na boca, chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu.
Ela vivia em uma clínica no bairro Monte Alegre, que foi interditada pela Vigilância Sanitária após denúncias de condições precárias. No local, foram identificados problemas de higiene e número insuficiente de funcionários. Outros 11 idosos que estavam na instituição já foram encaminhados para familiares.
Clínicas fechadas
Além do caso no Monte Alegre, outra casa de repouso irregular foi interditada em Ribeirão Preto, desta vez no Jardim Paulista. O local funcionava sem licença sanitária e já havia sido fechado anteriormente, mas continuou operando mesmo após autuações e decisão judicial que proibia o funcionamento.
Ao todo, 25 idosos estavam na clínica. Após a interdição, familiares foram chamados e retiraram os pacientes. Parte deles foi encaminhada para avaliação médica em unidades de saúde, enquanto outros ficaram sob responsabilidade de parentes ou foram levados para instituições de acolhimento.
Irregularidades graves
Segundo o Ministério Público, as condições encontradas eram consideradas graves, com falta de higiene, ausência de ventilação adequada, excesso de camas e carência de profissionais qualificados. Também foram identificados idosos com escabiose, doença de pele contagiosa.
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A fiscalização apontou ainda problemas estruturais, como fiação elétrica exposta próxima a pontos de água. Mesmo após interdição anterior, a clínica continuou funcionando de forma clandestina, sem identificação na fachada, o que levantou suspeita de tentativa de burlar a fiscalização.
Investigação e críticas
A Polícia Civil investiga os casos, enquanto autoridades apontam falhas no cumprimento de decisões judiciais e na fiscalização. O Ministério Público destacou que a responsabilidade de garantir a interdição cabe aos órgãos municipais competentes.
A Prefeitura de Ribeirão Preto informou, em nota, que não houve omissão, ressaltando que as medidas cabíveis foram tomadas e que trabalha para ampliar vagas em instituições regulares. Já o Judiciário alerta que a falta de investimento em casas de longa permanência abre espaço para a atuação de estabelecimentos irregulares.
Os casos ganharam ainda mais repercussão após a morte da idosa, que, segundo relatos, foi encontrada em situação de maus-tratos, com sinais graves de negligência.



