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Igreja terá que informar doações feitas por suspeitos de golpe milionário na internet

Donos de site de compras coletivas teriam doado carro de luxo para entidade; Viviane Emílio está presa e Michel Pierri foragido
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Donos de site de compras coletivas teriam doado carro de luxo para entidade; Viviane Emílio está presa e Michel Pierri foragido

Donos de site de compras coletivas teriam doado carro de luxo para entidade; Viviane Emílio está presa e Michel Pierri foragido

A Justiça de São Paulo solicitou formalmente que uma igreja evangélica forneça informações detalhadas sobre todas as doações recebidas pelo casal Michel Pr Cintra e Viviane Boff-Emilio nos últimos anos. O casal é investigado sob a suspeita de aplicar golpes online que somam cerca de R$ 100 milhões, com mais de 42 mil vítimas em todo o país.

Investigação do Ministério Público

O Ministério Público (MP) busca apurar se a instituição religiosa estaria sendo utilizada para ocultar ou ‘lavar’ o dinheiro obtido ilicitamente pelas empresas do casal. Segundo o promotor Arô do Costa Filho, há indícios de que Michel e Viviane realizavam doações frequentes à igreja.

“Nós temos informações de pessoas que o Michel e a Viviane participam de uma igreja e faziam doações constantes para a igreja”, afirmou o promotor. Ele ressalta que a simples doação não configura crime, mas é necessário verificar se o dinheiro de origem ilícita está sendo dissimulado através da igreja.

Doações e um Carro de Luxo

Ex-funcionários do casal relataram em depoimento que doações semanais eram feitas à igreja. Em uma das ocasiões, um carro de luxo avaliado em mais de R$ 100 mil teria sido doado. Este veículo foi apreendido em Guararema e estava sendo conduzido por um agente de segurança da Assembleia Legislativa.

A investigação também apura a aquisição de um veículo importado pela empresa de Viviane, que posteriormente foi repassado à igreja e, recentemente, vendido para uma empresa em São Paulo. Um funcionário relatou ter levado o automóvel a um sítio em Igarata a pedido de um deputado estadual, que também é pastor na igreja frequentada pelo casal. O promotor informou que a promotoria encaminhará os fatos à procuradoria-geral de Justiça, porque somente o procurador tem o poder de investigar um deputado estadual.

Detalhes do Esquema e Acusações

Tamires Espirandeli, ex-funcionária do casal, detalhou o esquema de vendas fraudulentas e sonegação fiscal. Ela relatou que produtos vendidos como originais eram, na verdade, adquiridos no Paraguai. Além disso, confirmou que valores da empresa eram repassados à igreja evangélica.

“O tempo que eu fiquei lá, praticamente toda semana, algum pastor ou alguém da Igreja ia lá receber algum produto ou algum dinheiro deles. Normalmente eram produtos que a loja vendia, notebooks, câmeras digitais, celulares, e aí veio a doação de um carro que foi onde eu fiquei indignada”, relatou Tamires.

Após deixar a empresa, Tamires moveu uma ação trabalhista contra Michel e Viviane e relatou ter sido agredida verbalmente e fisicamente pela empresária.

Viviane Boff é proprietária da empresa Panq, suspeita de vender eletrônicos pela internet e não entregá-los, ou entregar produtos falsificados. Michel Pr Cintra, ex-proprietário da Stop Play, também é investigado por práticas semelhantes. Ambos respondem por estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular.

As investigações prosseguem para determinar o envolvimento da igreja nas atividades ilícitas e responsabilizar todos os envolvidos.

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