A investigação sobre a morte de Walter Gilmar Carneiro, ex-marido da professora de estética Jusara Fernandes, em Bebedouro, ganhou novos desdobramentos após a divulgação de imagens de câmeras de segurança. O material, preservado desde janeiro de 2025, aponta contradições no depoimento da investigada e levanta a suspeita de ocultação de provas.
A família de Walter procurou a polícia após Jusara confessar outro homicídio, o do ex-companheiro Alexandro, morto com mais de 70 golpes de tesoura. Agora, os novos elementos reforçam a possibilidade de que a morte de Walter também tenha sido um crime.
Novas imagens
Segundo a advogada da família da vítima, Isabela Felone, as imagens mostram movimentações consideradas incompatíveis com a versão apresentada por Jusara à polícia. Um dos pontos centrais é a retirada de um saco de lixo da própria residência e o descarte posterior na lixeira de uma vizinha.
Para a acusação, essa conduta pode indicar uma tentativa de eliminar frascos de medicamentos, drogas ou substâncias usadas para dopar a vítima. Há suspeita de que Walter estivesse incapacitado de reagir no momento em que morreu, hipótese semelhante à levantada no outro caso em que Jusara é investigada.
As imagens também mostram que a professora acionou o SAMU após essas movimentações, o que, segundo a defesa da família, reforça a tese de que provas relevantes podem ter sido ocultadas antes da chegada das autoridades.
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Contradições
Outro ponto que chamou a atenção da investigação envolve os horários informados por Jusara. Ela afirmou ter saído de casa por volta das 7h da manhã, mas as câmeras indicam que isso ocorreu às 8h07. O retorno, segundo ela, teria sido entre 9h30 e 10h, porém as imagens mostram que ela já estava no imóvel às 9h.
O laudo necroscópico aponta que Walter morreu entre meia-noite e 2h da madrugada. A perícia começou às 11h, e o corpo já apresentava rigidez cadavérica compatível com várias horas de óbito, o que contraria a versão de que ele estaria dormindo quando Jusara saiu de casa.
A advogada também contesta a alegação de que a professora não teria visto o corpo na piscina por estar sem óculos. Segundo ela, as imagens mostram que Jusara dirigiu normalmente e teve visão direta da área da piscina ao entrar e sair do imóvel.
Histórico criminal
Jusara Fernandes já foi investigada anteriormente por tentativa de homicídio contra outro marido, em São Paulo. Além disso, responde atualmente pelo assassinato de Alexandro, caso que aguarda audiência marcada para março, quando a Justiça decidirá se haverá julgamento pelo Tribunal do Júri.
A defesa tentou solicitar uma perícia psicológica alegando a chamada síndrome da mulher maltratada, mas o pedido foi negado pelo juiz por falta de laudos médicos que comprovassem transtornos mentais. O caso da morte de Walter segue em fase final de investigação, aguardando relatório da polícia para posterior denúncia do Ministério Público por homicídio.



