Professor Eduardo Soares conta detalhes sobre o procedimento no ‘Mundo Digital’ desta quinta (15)
O mundo digital trouxe consigo novas formas de trabalho, mas também novos desafios. A busca por emprego se tornou ainda mais complexa nos últimos anos, agravada pela pandemia e recessão econômica. Conseguir uma vaga já é um feito, mas ser demitido, principalmente por um robô, é uma realidade cada vez mais presente.
Demissões automatizadas: a Amazon como exemplo
Uma grande varejista online, a Amazon, vem utilizando algoritmos para gerenciar e, em alguns casos, demitir funcionários. Através de um sistema de ranqueamento, semelhante ao usado por aplicativos de transporte como Uber e iFood, o desempenho dos trabalhadores é monitorado. Se o funcionário não atinge as metas estipuladas pelo algoritmo, recebe um e-mail de demissão, sem qualquer interação humana.
A questão ética da automação
Essa prática levanta sérias questões éticas. A falta de diálogo e a ausência de supervisão humana no processo de demissão geram preocupação. Situações como apartamentos trancados ou rotas de entrega complexas, que fogem do controle do funcionário, podem levar a demissões injustas. A automatização total do processo elimina a possibilidade de justificativas ou negociações, impactando diretamente a vida do trabalhador.
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Regulamentação e o futuro do trabalho
A ausência de regulamentações específicas para o uso da inteligência artificial em processos de demissão exige uma reflexão sobre o futuro do trabalho. É necessário discutir os limites éticos da automação e garantir que os algoritmos sejam utilizados de forma justa e transparente. A prioridade deve ser a proteção dos trabalhadores e a garantia de um processo de demissão digno, que inclua diálogo e consideração das circunstâncias individuais. A dependência exclusiva de algoritmos para decisões tão importantes pode acarretar consequências negativas e exigir uma regulamentação mais eficaz.