Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Rodrigo Prioli
Cerca de 110 trabalhadores maranhenses enfrentam uma situação desesperadora em Ribeirão Preto, após serem deixados em um posto de combustíveis às margens da rodovia Anhanguera, próximo ao acesso à zona norte da cidade. Os homens, originários de São Mateus do Maranhão, percorreram quase 2.500 quilômetros em busca de uma promessa de emprego que se desfez, deixando-os sem recursos para retornar às suas casas.
A Promessa Desfeita e o Desespero
Segundo relatos, a viagem foi organizada por um agenciador que cobrou taxas de inscrição e transporte, alimentando a esperança de um futuro melhor. Aloísio Vasconcelos, um dos pedreiros, expressou sua frustração: “Fui deixado no meio da rua, e ninguém apareceu para nos receber. Estamos aqui nesse posto, sem dinheiro e sem como ir embora. A situação está muito difícil.” Os trabalhadores revelam ter pago R$ 250 pelo agenciamento e R$ 353 pela passagem, além de outras despesas durante o trajeto, a um homem identificado como ‘Galego’, em São Mateus do Maranhão.
Sonhos Desfeitos e Dívidas Acumuladas
A busca por um emprego com carteira assinada levou alguns a investirem todas as suas economias. Raimundo Nonato Vieira, de 44 anos, vendeu sua moto por R$ 1.400 para custear a viagem, pagando R$ 600 de agenciamento e R$ 250 pela passagem, totalizando R$ 850. Para José Moisés Custódio, de 25 anos, a situação é ainda mais grave. Ele contraiu um empréstimo de R$ 500 no banco, e atrásra se vê endividado e sem meios de voltar para casa.
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Ação das Autoridades
Diante da situação, a Prefeitura de Ribeirão Preto informou que a Secretaria de Assistência Social foi acionada, em conjunto com o núcleo de combate ao tráfico de pessoas e trabalho escravo. A primeira medida foi notificar o Ministério Público do Trabalho, que buscará responsabilizar a empresa responsável pela vinda dos trabalhadores, para que esta providencie o necessário para ampará-los. A secretaria também se comprometeu a oferecer alimentação e hospedagem aos trabalhadores durante sua permanência na cidade.
A história desses trabalhadores maranhenses ilustra a vulnerabilidade de muitos que buscam oportunidades de trabalho, e a importância da fiscalização e responsabilização de empresas e agenciadores que se aproveitam da situação.



