Cidade está há mais de um ano sem fazer a reciclagem de seus resíduos sólidos; ouça o ‘De Olho na Política’ com Bruno Silva
A cidade de Ribeirão Preto enfrenta uma crise na gestão de resíduos recicláveis, com impactos diretos na população e no meio ambiente. A suspensão da coleta seletiva porta a porta, há mais de um ano, deixou moradores e cooperativas em situação de vulnerabilidade.
Dificuldades na destinação do lixo reciclável
A falta de coleta seletiva tem gerado dificuldades para moradores como André Fernandes Costa, que, apesar de separar o lixo reciclável há anos, encontra obstáculos para destiná-lo corretamente. Pontos de coleta que antes aceitavam materiais como papelão e vidro, atrásra se recusam, devido à baixa demanda e valor de mercado desses itens. A importação de resíduos processados de outros países contribui para essa situação, tornando a reciclagem local menos atrativa economicamente.
Impactos econômicos e ambientais
Leonel Caetano, que trabalha com reciclagem há 15 anos, relata a diminuição da aceitação de materiais como papelão e vidro, devido à baixa lucratividade. A indústria, segundo ele, prefere importar matéria-prima processada, o que impacta negativamente o mercado de reciclagem local. O ambientalista Manuel Ferreira destaca a preocupante situação de Ribeirão Preto, uma das cidades que mais geram lixo no Brasil, com uma taxa de reciclagem inferior a 1%, mesmo considerando o esforço dos catadores. A falta de políticas públicas eficientes para fomentar a coleta, separação e reciclagem é apontada como um dos principais problemas. A cidade desperdiça uma grande quantidade de materiais que poderiam ser reaproveitados, além dos danos ambientais causados pelo descarte inadequado.
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A busca por soluções
A prefeitura de Ribeirão Preto afirma que a coleta seletiva continua nos ecopontos e parques, mas a coleta porta a porta permanece suspensa até a contratação de uma nova empresa, sem prazo definido. Especialistas e moradores cobram agilidade e soluções eficazes para retomar o serviço, considerando os impactos sociais e ambientais da situação. A demora na resolução do problema gera desestímulo na população, que já havia se adaptado à coleta seletiva, comprometendo os esforços de educação ambiental. É necessário que o poder público priorize a questão da reciclagem, criando políticas públicas eficientes e viáveis, em diálogo com a sociedade e as cooperativas, para garantir a destinação correta dos resíduos e a sustentabilidade ambiental.