Apenas duas das cinco unidades de saúde da família funcionam; número de demissões cresce
A saúde pública em Miguelópolis enfrenta um período conturbado, com reflexos na Santa Casa (já sob intervenção), no Programa Saúde da Família (PSF) e na área de saúde bucal. A situação se agravou com a dispensa de enfermeiros e técnicos de enfermagem, motivada por atrasos nos repasses da prefeitura à Iages (Instituto de Apoio e Gestão à Saúde), empresa terceirizada responsável pela gestão desses serviços desde abril.
Impacto nos Trabalhadores e Ações Legais
Tatiane Príncipe, advogada de duas enfermeiras demitidas, relata que a única alternativa para suas clientes foi ingressar com ações trabalhistas para garantir o recebimento dos salários atrasados, FGTS e verbas rescisórias. Segundo ela, as profissionais enfrentam dificuldades financeiras e comerciais na cidade devido aos atrasos salariais. A expectativa atrásra recai sobre a Justiça do Trabalho, após a obtenção de uma liminar favorável.
A Versão da Administração Municipal
Roselito Barbosa Gonçalves, chefe do Departamento de Saúde de Miguelópolis, alega desconhecer a fundo a situação, mas informa que a suspensão dos serviços pela Iages se deve à falta de apresentação de demonstrativos de gastos mensais. Segundo ele, o contrato previa, além da administração dos PSFs e do Banco de Corro, o fornecimento de uniformes e equipamentos, o que, segundo a prefeitura, não estava sendo cumprido pela empresa. A falta de comunicação com a Iages e a ausência de equipes em horários críticos, como nos plantões de final de semana, agravaram a crise.
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Consequências para a População e Imbróglio Financeiro
Atualmente, pelo menos três das cinco unidades de saúde da família em Miguelópolis estão fechadas, prejudicando o acesso da população aos serviços básicos. Pedro Barreto de Godó, presidente da Iages, afirma que a prefeitura deixou de repassar R$ 328 mil, valor que cobriria o pagamento de 30 funcionários e a manutenção das unidades. Em protesto, trabalhadores realizaram um manifesto na cidade exigindo a recontratação dos demitidos e o pagamento dos salários atrasados.
Diante do impasse entre o executivo municipal e o instituto, a população de Miguelópolis é quem mais sofre com a precarização dos serviços de saúde.



