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Imprudência no trânsito provoca mortes e reacende debate sobre manobras ilegais

Especialista alerta que práticas como empinar motos em vias públicas configuram crime, podendo gerar alto custo social e à saúde pública
imprudência
Kaique Castro/EPTV Ribeirão

A imprudência no trânsito voltou ao centro do debate após um grave acidente registrado no fim de semana, que resultou na morte de uma adolescente de 15 anos e de um motociclista de 28 anos. O caso ocorreu durante a prática de manobras conhecidas como “grau”, quando o condutor perdeu o controle da motocicleta e atingiu a vítima.

O episódio reacende a discussão sobre comportamentos de risco em vias públicas, especialmente envolvendo motocicletas. Especialistas destacam que esse tipo de prática coloca em risco não apenas quem realiza a manobra, mas também pedestres, motoristas e outros motociclistas que utilizam o trânsito de forma regular.

Crime de trânsito

Segundo o especialista em trânsito Anderson Manzoli, o Código de Trânsito Brasileiro é claro ao classificar manobras perigosas realizadas em espaços públicos como infração grave e, em determinadas situações, como crime. Isso ocorre quando há risco direto à vida de terceiros.

Mesmo quando feitas em locais mais afastados, essas práticas continuam sendo ilegais e exigem punição. Para Manzoli, transformar um veículo de deslocamento e trabalho em instrumento de manobra radical em vias públicas demonstra desrespeito às regras e à convivência social.

Risco coletivo

O especialista ressalta que acidentes envolvendo motocicletas costumam ter consequências mais graves devido à vulnerabilidade dos condutores. Além disso, em rodovias e avenidas movimentadas, um erro de segundos pode envolver outros veículos, como carros, ônibus e caminhões.

Nesses casos, o impacto vai além das vítimas diretas, atingindo famílias, o sistema de saúde e toda a sociedade, que arca com os custos do atendimento médico e da reabilitação de feridos.

Educação e fiscalização

Manzoli defende que a redução desse tipo de ocorrência passa por mudanças profundas na educação para o trânsito. Ele aponta a necessidade de repensar a formação de condutores e o comportamento coletivo no espaço público, incluindo pedestres e ciclistas.

Embora a fiscalização seja considerada essencial, o especialista destaca que ela enfrenta dificuldades, já que esses grupos costumam mudar de local com frequência. O uso de câmeras e o fortalecimento das ações de monitoramento são apontados como alternativas.

Influência das redes

Outro ponto de alerta é o papel das redes sociais na disseminação dessas práticas. Vídeos de manobras ilegais costumam gerar engajamento e incentivo, o que, segundo o especialista, contribui para a repetição do comportamento.

Para ele, essas ações deveriam ser repudiadas socialmente, com retirada de conteúdos e punição aos responsáveis, de forma a desencorajar novas ocorrências.

Responsabilidade social

O especialista reforça que a segurança no trânsito é uma responsabilidade coletiva. Familiares, amigos e a própria comunidade podem contribuir ao desestimular práticas perigosas e orientar jovens a buscar atividades que não coloquem vidas em risco.

A conscientização, aliada à aplicação da lei, é apontada como fundamental para reduzir o número de acidentes graves e fatais.

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