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Incêndios destroem lavouras de café e causam prejuízos irreversíveis

Produtor de Altinópolis teve lavoura com mais de 20 mil pés afetada e perda deve passar de R$ 500 mil; produto tende a encarecer
Incêndios destroem lavouras de café e
Produtor de Altinópolis teve lavoura com mais de 20 mil pés afetada e perda deve passar de R$ 500 mil; produto tende a encarecer

Produtor de Altinópolis teve lavoura com mais de 20 mil pés afetada e perda deve passar de R$ 500 mil; produto tende a encarecer

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que a região de Ribeirão Preto concentra 13 das 20 cidades com maior número de queimadas no estado de São Paulo em 2024. Altinópolis lidera o ranking, Incêndios destroem lavouras de café e causam prejuízos irreversíveis, com 127 focos de incêndio registrados até o último dia 22 de abril, conforme levantamento divulgado recentemente.

O impacto das queimadas é severo, atingindo áreas verdes e plantações, incluindo lavouras de café. O produtor rural André Garcia Malagute, de Altinópolis, relatou que perdeu toda a produção de sua fazenda, que contava com 20 mil pés de café. O incêndio mais recente destruiu o investimento, o trabalho e a renda da família, com prejuízos estimados em mais de R$ 500 mil.

“Começamos o plantio em dezembro de 2021 e, no ano seguinte, a lavoura já rendeu 20 sacas. Este ano seria o primeiro com uma boa colheita, estimada em 200 sacas, mas tudo foi consumido pelo fogo. O incêndio foi muito forte e queimou até a copa das árvores. Infelizmente, o prejuízo está perdido, não tem o que fazer”, afirmou Malagute.

Ele acrescentou que a família tentará aproveitar parte da produção que sobrou para minimizar as perdas, mas o cenário é preocupante. O fogo atingiu até o café no chão, que ainda estava em processo de amadurecimento.

Distribuição dos focos de incêndio em São Paulo

Além de Altinópolis, outras quatro cidades da região de Ribeirão Preto aparecem entre as dez com maior número de queimadas no estado: Pitangueiras (106 focos), Morro Agudo (83), Sertãozinho (78) e Taquarivaí (73). Esses dados reforçam a gravidade do problema na região, que enfrenta uma temporada crítica de incêndios florestais.

Impactos nas lavouras de café: Produtores locais destacam que os danos causados pelos incêndios são irreversíveis para os cafezais. A família de Malagute estima que a colheita prevista para 2025 deverá ser adiada para 2027, o que representa um atraso de pelo menos três anos para a recuperação da produção perdida.

“Tudo foi cultivado esperando uma boa chuva, mas o fogo destruiu o que estava plantado. Agora, a expectativa é que o clima melhore para tentar recuperar a lavoura nos próximos anos”, explicou o produtor.

Contexto econômico e climático: O Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (CEPEA) da Universidade de São Paulo (USP) divulgou um balanço em atrássto que mostra alta nos preços do café desde dezembro de 2023. O setor já enfrentava dificuldades devido aos efeitos do fenômeno climático El Niño, que provocou seca em várias regiões produtoras.

Segundo o CEPEA, o preço da saca de 60 quilos de café arábica subiu de R$ 888 para R$ 1.426, enquanto o café robusta teve aumento de R$ 660 para R$ 1.341 no mesmo período. A expectativa é que os preços continuem em alta caso o cenário climático adverso persista nas próximas semanas.

Perspectivas para a próxima estação

Inicialmente, os produtores acreditavam que os danos das queimadas seriam pontuais e aguardavam chuvas em setembro, com o início da primavera, para amenizar a situação. No entanto, até o momento, as precipitações não ocorreram, o que mantém o risco elevado para as lavouras e a vegetação da região.

O prolongamento do período seco e a continuidade dos incêndios podem agravar ainda mais os prejuízos para o setor agrícola, especialmente para os cafeicultores, que dependem do clima para garantir a produtividade e a qualidade da colheita.

Informações adicionais

O INPE utiliza imagens de satélite para monitorar os focos de incêndio em todo o território nacional, fornecendo dados atualizados que auxiliam no combate e na prevenção dos incêndios florestais. A região de Ribeirão Preto, tradicionalmente agrícola, enfrenta desafios crescentes relacionados às mudanças climáticas e à gestão ambiental.

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