Danos são tanto ao meio-ambiente, quanto à agricultura; biólogo destaca que natureza sofre com intensidade das ações humanas
Incêndios florestais recentes na região de Ribeirão Preto, Incêndios destruíram mais de 78 quilômetros em menos de uma semana na região de Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, destruíram cerca de 78 quilômetros de vegetação em menos de uma semana, segundo dados de um programa federal de monitoramento de crimes ambientais. As queimadas ocorreram entre os dias 16 e 28 de setembro, avançando diariamente e afetando uma extensa área que se estende desde as margens do Rio Mojiguasu, passando por cidades como Sertãozinho e Pitangueiras, até alcançar Ribeirão Preto.
Imagens de satélite divulgadas pelo governo federal evidenciam a evolução dos incêndios, que resultaram em um prejuízo ambiental significativo. A área destruída equivale à distância entre Ribeirão Preto e Restinga, na região de Franca, demonstrando a magnitude dos danos causados.
Impactos ambientais e prejuízos à fauna e flora
O biólogo Fábio Nascimento, professor de ecologia da Universidade de São Paulo (USP), destacou que os danos são incalculáveis, especialmente para a fauna local. Segundo ele, fragmentos de áreas preservadas, que funcionam como refúgios para diversas espécies, também foram atingidos pelas chamas. Isso agrava ainda mais a situação, pois essas regiões são essenciais para a manutenção da biodiversidade.
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Além disso, as queimadas afetam a microbiota do solo, composta por microrganismos benéficos para a produção agrícola. A perda desses organismos compromete a fertilidade do solo e pode levar anos para que a cadeia produtiva e ecológica seja recomposta. “A natureza tenta se recompor, mas a velocidade e a intensidade das ações humanas dificultam essa recuperação”, afirmou o professor, ressaltando que tanto a fauna quanto a flora necessitarão de um longo período para se restabelecerem.
Incêndios e prejuízos na agricultura: No estado de São Paulo, foram registrados mais de 3 mil focos de incêndio em um período de quase 20 dias. Esses incêndios também destruíram áreas de cultivo de cana-de-açúcar, um dos principais produtos agrícolas da região. José Guilherme Nogueira, assessor da Organização dos Plantadores de Cana (ORP), divulgou um balanço recente apontando que, entre 23 de agosto e 10 de setembro, mais de 181 mil hectares de áreas de cana-de-açúcar e de rebrota foram queimados.
O prejuízo financeiro estimado pela ORP ultrapassa 1 bilhão de reais. Nogueira ressaltou que, nos últimos dois dias, ocorreram dois incêndios de grandes proporções em Pontal, uma importante região produtora de cana, o que deve aumentar ainda mais os danos econômicos. Os produtores locais estão avaliando os impactos e buscando estratégias para minimizar as perdas causadas pelas queimadas.
Monitoramento e desafios para o controle das queimadas
O programa federal de monitoramento ambiental tem acompanhado a evolução dos incêndios por meio de imagens de satélite, o que permite identificar as áreas afetadas e a progressão das chamas. Apesar desse acompanhamento, os incêndios continuam ocorrendo, evidenciando os desafios para o controle e prevenção dessas ocorrências.
As causas dos incêndios não foram detalhadas, e as autoridades ainda não divulgaram informações específicas sobre eventuais responsáveis ou medidas adotadas para conter as queimadas. O impacto ambiental e econômico, entretanto, já é sentido pela população e pelo setor agrícola da região.
Entenda melhor
As queimadas afetam não apenas a vegetação, mas também a fauna e a microbiota do solo, comprometendo a biodiversidade e a produtividade agrícola. A recuperação dessas áreas pode levar anos devido à complexidade dos ecossistemas afetados e à intensidade dos danos causados pelo fogo. Além disso, o monitoramento por satélite é uma ferramenta importante para identificar e acompanhar os incêndios, mas a prevenção e o combate eficaz dependem de ações integradas entre órgãos ambientais, governo e sociedade.



