Ouça a coluna ‘CBN Educação para a Vida’, com João Roberto de Araújo
O ensino religioso nas escolas brasileiras, tanto públicas quanto privadas, tem gerado debates acalorados, chegando ao Supremo Tribunal Federal (STF). Recentemente, a Corte realizou uma audiência pública para discutir a obrigatoriedade dessa disciplina.
O Papel da Fé na Educação
Deus, deuses e religiões são temas de grande importância para a humanidade. Desde os tempos antigos, o ser humano busca explicações para os mistérios do universo e da natureza, criando cosmogonias, antropogenias e teogonias. As religiões, fundamentadas na crença, oferecem conforto e respostas a questões imponderáveis, mas não seguem a lógica da investigação científica.
Respeito e Cuidado com a Imposição Religiosa
É fundamental respeitar as crenças alheias, evitando impor a nossa fé e acolhendo as diferenças pacificamente. No entanto, é preciso ter cuidado para que nenhuma religião se sobreponha às outras, utilizando o poder político e educacional para defender uma crença específica. A educação deve ser integral, abrangendo todas as dimensões do ser humano, incluindo o desenvolvimento ético e moral.
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Educação Religiosa na Escola: Sim ou Não?
Embora as religiões tragam conteúdos éticos e morais relevantes, existe o risco de que o professor de religião, influenciado por sua própria crença, vá além dessas dimensões e tente impor seu credo aos estudantes. O professor, antes de tudo, deve ser um pedagogo, priorizando a ciência em vez da crença religiosa. A escola deve se concentrar na ciência, enquanto a religião deve ser praticada no seio familiar.
A escola pode incorporar conteúdos para a educação integral, como os fundamentos do pensamento complexo e os saberes necessários à educação do futuro. Além disso, o desenvolvimento da educação emocional, sem viés religioso, pode promover a autoestima, a ética da diversidade, o perdão e o diálogo.
Portanto, a escola deve priorizar esses conteúdos, deixando o espaço sagrado do templo para a prática religiosa.



