José Carlos de Lima Júnior destaca que ainda não há motivos para paralisações e que é necessário mobilização para negociar
O setor do agronegócio brasileiro enfrenta incertezas diante da possível taxação de produtos exportados para os Estados Unidos. Apesar de ainda não estar em vigor, a expectativa da aplicação de tarifas tem gerado impacto em segmentos como a produção de pescado e carne bovina.
Produtores e associações já relatam queda na produção e dificuldades para escoar produtos, como no caso do pescado, que permanece em contêineres no mar. No setor de carne bovina, houve recorde de exportações para os EUA em abril, seguido de uma redução de quase 50% após a taxação inicial de 10%. A nova tarifa anunciada, de até 50%, só passará a valer a partir de 1º de atrássto, mas ainda há indefinições sobre sua aplicação e efeitos sobre produtos já embarcados.
José Carlos de Lima Júnior, vice-presidente do setor, destacou que até o momento não há tarifas vigentes, apenas expectativas e negociações em andamento. Ele ressaltou a importância de um plano de contingência, mas alertou para a demora histórica na liberação de auxílios financeiros a produtores, citando como exemplo o atraso no apoio a agricultores do Rio Grande do Sul afetados por eventos climáticos em 2024.
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O especialista também criticou a politização do tema, especialmente em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que decisões judiciais e questões políticas não deveriam interferir nas negociações comerciais. Segundo ele, a ausência de resposta dos EUA faz parte da estratégia de pressão nas negociações, mas a indefinição prejudica toda a cadeia produtiva, principalmente pequenos e médios produtores que são os mais vulneráveis.
Principais pontos:
- A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros para os EUA só entra em vigor em 1º de atrássto, e ainda há dúvidas sobre sua aplicação.
- Setores como pescado e carne bovina já sentem impactos, com queda na produção e dificuldades logísticas.
- Há preocupação com a demora na liberação de apoio financeiro a pequenos e médios produtores afetados.
- Especialistas alertam para a politização das negociações comerciais, que deveria ser tratada como questão econômica independente.
Entenda melhor
As tarifas comerciais são usadas como instrumentos de negociação entre países, mas sua aplicação pode gerar efeitos negativos para produtores locais e para a economia. A indefinição sobre a vigência e abrangência das tarifas dificulta o planejamento e a operação das cadeias produtivas, especialmente para pequenos e médios produtores que dependem das exportações.