Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
O diagnóstico de sobrepeso e obesidade vai além da observação visual: é feito principalmente pelo Índice de Massa Corporal (IMC), indicador amplamente utilizado por profissionais de saúde para avaliar o estado nutricional de uma pessoa.
Como se calcula o IMC e sua classificação
O IMC é obtido dividindo-se o peso em quilos pelo quadrado da altura em metros. Por exemplo, um homem de 1,75 m com 96 kg tem IMC de 31 kg/m², correspondente a obesidade leve. A escala de referência considera IMC até 24,9 como normal; entre 25 e 29,9, sobrepeso; índices acima de 30 caracterizam obesidade, que pode ser subdividida por graus. Valores acima de 40 são classificados como obesidade mórbida, condição que normalmente requer acompanhamento médico especializado.
Medições complementares e riscos associados
Além do IMC, a circunferência abdominal é um marcador importante dos riscos metabólicos: limites de segurança frequentemente citados são 102 cm para homens e 88 cm para mulheres. Medir peso, altura e cintura ajuda a estimar o risco individual de doenças relacionadas ao excesso de gordura corporal. A obesidade amplia significativamente o risco de doenças cardiovasculares — estudos apontam que ela pode dobrar a probabilidade de infarto — e prejudica a ação da insulina, aumentando a chance de desenvolvimento de diabetes tipo 2.
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Prevalência, causas e impacto na gestação
No Brasil, cerca de 14% da população é obesa e mais da metade encontra-se com sobrepeso. Especialistas atribuem esse panorama principalmente à inatividade física e ao consumo excessivo de alimentos calóricos, sobretudo ultraprocessados ricos em gorduras e açúcares. Pesquisas internacionais também mostram efeitos intergeracionais: um estudo na Holanda e levantamentos nos Estados Unidos indicam que cerca de 20% das mulheres que deram à luz eram obesas, com maior prevalência entre grupos socioeconômicos mais vulneráveis. A obesidade materna está associada a maior risco de obesidade e hipertensão entre os filhos, tanto na infância quanto na vida adulta.
As evidências reforçam a necessidade de políticas e práticas voltadas à prevenção: promoção de alimentação equilibrada, aumento da atividade física e atenção pré-natal adequada podem reduzir os impactos da obesidade sobre a saúde pública e sobre as próximas gerações.



