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Índice de saneamento básico ainda está longe do ideal no Brasil

Ouça a coluna 'Café com Política' com Julio Chiavenato
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Boa tarde, ouvintes da CBN Ribeirão. A frase de Tom Jobim, ‘O Brasil não é para principiantes’, ecoa com força diante da complexidade do nosso país, mergulhado em um mar de corrupção e desigualdade social. Níveis de vida comparáveis aos países mais ricos do mundo convivem paradoxalmente com as mais brutais injustiças, onde nichos de luxo florescem enquanto boa parte da população luta pela sobrevivência em meio à lama.

Saneamento básico: um retrato da desigualdade

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) revela dados alarmantes: 35% das casas brasileiras não possuem saneamento básico. Essa estatística, contudo, esconde uma realidade ainda mais grave. Se desconsiderarmos o Sudeste, a porcentagem sobe para 80% das residências sem acesso a esgoto e água encanada – em algumas regiões, a falta de água potável se estende até mesmo aos rios próximos. Apesar da existência de leis e do conhecimento da importância do saneamento básico para a saúde pública, apenas 30% dos municípios possuem planos efetivos, e a maioria sequer cumpre o que está previsto.

A política como palco da impunidade

Enquanto a população enfrenta uma calamidade sanitária, a preocupação do governo parece se concentrar na manutenção do poder, distribuindo cargos a corruptos e incompetentes. A possível nomeação do deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) para o Ministério da Justiça ilustra bem essa situação. Advogado que defendeu envolvidos no escândalo do mensalão do Banco Rural, Pacheco se posiciona contra a Operação Lava Jato e critica o Ministério Público por se basear em “especulações não provadas”. A escolha de um nome como esse indica claramente a intenção de enterrar as investigações sobre os desvios de dinheiro público.

A realidade brasileira, portanto, expõe uma triste verdade: a distância entre a riqueza e a miséria, a ineficácia das políticas públicas e a impunidade que protege os corruptos. A frase de Tom Jobim continua a ressoar, um alerta sobre a complexidade e os desafios que o país precisa enfrentar para construir um futuro mais justo e igualitário. Até amanhã, ouvintes da CBN.

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