No acumulado do ano o IPCA bate 10,67%; ouça a coluna ‘CBN Economia’ com Nelson Rocha Augusto
Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) pintou um quadro preocupante da situação do mercado de trabalho brasileiro, ainda sofrendo impactos da pandemia de Covid-19. Apesar do aumento nas contratações formais, o ritmo é lento e a taxa de desemprego permanece alta.
Mercado de Trabalho Precarizado
O economista Nelson Rocha Augusto destaca a precariedade do mercado de trabalho como a face mais cruel da situação econômica. Cerca de 48% da população economicamente ativa trabalha de forma informal, seja por conta própria em trabalhos de pequena escala ou sem registro em carteira. A informalidade, além do desemprego elevado (em torno de 14%), compromete a segurança, a renda e a capacidade de consumo dos trabalhadores, criando um ciclo vicioso que desestimula investimentos e contratações pelas empresas.
Impacto da Inflação e Política Econômica
A alta inflação, com o IPCA atingindo 1,25% em outubro e acumulando 10,67% no ano, agrava ainda mais o cenário. Esse aumento de preços, decorrente do aumento de custos (combustíveis, transportes, alimentos), reduz o poder de compra da população. A política econômica, marcada por impasses como a PEC dos Precatórios, contribui para a instabilidade, afetando as expectativas de crescimento econômico. O Banco Central, com suas ferramentas limitadas, reage elevando a taxa de juros, o que impacta negativamente a economia e a população.
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Perspectivas e Necessidades
A situação econômica brasileira é grave e demanda ações imediatas. A criação de mecanismos de assistência social, como um novo programa de auxílio emergencial, se faz necessária, desde que não comprometa o teto de gastos e o controle da inflação. A perspectiva de crescimento econômico para o próximo ano é baixa, reforçando a urgência de medidas eficazes para reverter o quadro de sofrimento da população. Os problemas são internos e exigem soluções internas, sem culpar fatores externos.