Pesquisador Domingos Alves alerta que apenas cinco dias de medidas restritivas não são suficientes para conter a pandemia
Às 11h desta manhã, a Prefeitura de Ribeirão Preto fará uma coletiva online para anunciar se a fase emergencial com medidas restritivas será prorrogada. O decreto atual termina hoje, e a expectativa é grande pela decisão.
Indicadores preocupantes
Segundo o secretário de saúde, Elisa, a possibilidade de prorrogação já havia sido aventada. Os indicadores atuais, no entanto, são preocupantes. A taxa de isolamento está muito abaixo do ideal, com dados de distanciamento social, coletados por meio de mapeamento de celulares, mostrando uma circulação de pessoas muito acima do desejado. Na última quinta-feira, primeiro dia das medidas restritivas, a taxa de isolamento foi de 43%, caindo para 40% na sexta e subindo para 45% no sábado. A meta ideal era de 70%, reduzida para 50% pelo governo do estado, mas Ribeirão Preto sequer chegou perto.
Opinião de especialista
O professor Domingos Alves da USP, em entrevista, questionou a eficácia de um lockdown de apenas 5 dias, considerando os recordes de ocupação de UTIs (95%, com 307 leitos ocupados de 320 disponíveis). Ele defendeu um lockdown de pelo menos 15 dias, com monitoramento da queda de indicadores (novos infectados, óbitos e internações) em pelo menos 50% por três semanas. O especialista criticou a falta de adesão às medidas e a ausência de uma estratégia integrada regionalmente, apontando para a necessidade de controle da mobilidade entre municípios. Ele destacou a ineficácia de um lockdown incompleto, que resulta em estabilidade com números altos de internações, como vem ocorrendo há mais de três semanas em Ribeirão Preto.
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Medidas necessárias
O professor Alves também mencionou exemplos de cidades como Franca, que adotou restrições por duas semanas, e outras que obtiveram sucesso com lockdowns mais completos, ressaltando a importância da integração regional para evitar a migração de pessoas entre municípios com diferentes níveis de restrição. Ele enfatizou a necessidade de barreiras sanitárias efetivas, controle de entrada e saída de pessoas e um isolamento social superior a 50% da população para conter a transmissão do vírus. A falta de coordenação e a ausência de protocolos adequados, segundo o especialista, geram a sensação de ineficiência das medidas restritivas, enquanto um protocolo completo permitiria o controle da circulação do vírus e uma retomada consciente das atividades econômicas.



