Números são menores que a metade dos registrados no auge do setor, em 2013; comparado ao ano passado são 2,8 mil vagas a menos
Franca, polo calçadista brasileiro, enfrenta sua pior crise em décadas
Queda histórica no número de empregos
Dados do núcleo de inteligência do setor calçadista de Franca apontam que outubro de 2023 registrou o pior resultado dos últimos 23 anos em termos de empregos, com apenas 14.685 trabalhadores. Desde abril, houve uma redução de 700 postos de trabalho, e a comparação com o mesmo período de 2022 mostra um saldo negativo de 2.800 funcionários, representando uma queda de 16%. A situação é alarmante, especialmente se comparada ao ano de 2013, quando o setor empregava 30.300 trabalhadores.
Fatores que contribuem para a crise
Para José Carlos Brigagão do Couto, presidente do sindicato das indústrias de calçado de Franca, a crise é multifatorial. Ele cita a concorrência asiática, a crise econômica global que impacta as exportações, além de dificuldades internas como a instabilidade política e a falta de crescimento econômico do país. O aumento das importações de calçados de couro em 46,3% em um ano, com gastos superiores a US$ 123,4 milhões em produtos vindos de países como Vietnã, Indonésia, Itália, China e Índia, também é apontado como um fator crucial para a redução da demanda por calçados brasileiros.
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Previsões sombrias para o futuro
As perspectivas para o setor calçadista de Franca não são animadoras. Não há indicativos de melhora no curto prazo, e a crise, segundo Brigagão, parece não ter precedentes na história da cidade. A situação afeta diretamente o mercado de trabalho local, já que a indústria calçadista é o principal setor de contratações em Franca.



