Na contramão de outros setores, aceleração do câmbio faz mercado lucrar mais, pois exportações são negociadas na moeda americana
A alta do dólar, embora tenha encarecido produtos importados como a carne, trouxe um impacto positivo para a indústria calçadista de Franca. Com as exportações negociadas em dólar, as empresas do setor estão obtendo lucros maiores.
Estímulo à economia e geração de empregos
Além do benefício cambial, o governo do estado anunciou uma redução no ICMS para a fabricação de calçados, de 7% para 3,5%. Essa combinação de fatores tem se mostrado um fôlego para o setor, especialmente em relação à geração de empregos. Segundo José Carlos Brigagão Couto, presidente do Sindical de Franca, quanto mais alto o dólar, melhor para a indústria, aumentando sua competitividade no mercado internacional, principalmente nos Estados Unidos, principal destino das exportações.
Números positivos e perspectivas futuras
Em um ano, a cotação do dólar aumentou 8%, quase três vezes a inflação do período. As exportações cresceram significativamente nos últimos três anos, mitigando o impacto da redução de pedidos do mercado interno, que normalmente leva a demissões no fim do ano. Em setembro, a cidade registrou um saldo positivo de 377 vagas de emprego, em contraste com o saldo negativo de 71 vagas no mesmo período do ano anterior. Embora ainda distante da recuperação dos 12 mil empregos perdidos durante a crise, há sinais de retomada.
A importância da estabilidade cambial
Luciano Nakabashi, economista e pesquisador da USP Ribeirão Preto, destaca a importância da manutenção do dólar em um patamar mais alto por um período prolongado para garantir os benefícios para as indústrias, principalmente na geração de empregos. Oscilações cambiais podem ser prejudiciais, mas a valorização sustentada do dólar afeta positivamente quem exporta. É uma situação de impacto positivo para o setor calçadista, mas que contrasta com a alta dos preços de produtos importados, impactando o consumidor.



