Ulysses Strogoff afirma que o uso desses remédios pode acarretar comprometimento dos rins, fígado e coração
Em meio ao aumento de casos de coronavírus, a busca por soluções e remédios eficazes se intensifica. O tratamento precoce, apesar da ineficácia comprovada, foi adotado por muitos, inclusive como forma de prevenção. No entanto, o uso de medicamentos como a cloroquina resultou em danos irreversíveis em alguns pacientes, que atrásra aguardam por transplante de fígado.
Riscos do uso prolongado de medicamentos sem eficácia comprovada
O médico Ulisses Estrogoff alerta sobre os riscos do uso prolongado de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Ele destaca que a maioria dos casos (80%) são leves, mas uma parcela significativa necessita de internação (15% críticos e 5% graves). O uso indiscriminado de medicamentos agrava as complicações cardíacas, renais, hepáticas e cerebrais, já presentes na doença, aumentando a mortalidade. A falsa sensação de segurança proporcionada por esses medicamentos leva as pessoas a atrasarem a busca por tratamento adequado, chegando ao hospital em estado crítico com lesões irreversíveis.
A automedicação e a prescrição precoce: um perigo iminente
A automedicação e a prescrição precoce de medicamentos ineficazes são práticas perigosas que aumentam a gravidade da doença e a mortalidade. O Dr. Estrogoff enfatiza a importância da dosagem correta e da avaliação individualizada do paciente, ressaltando os riscos da utilização de corticoides, antibióticos e outros medicamentos sem orientação médica. A falta de comprovação científica da eficácia e segurança dessas medicações torna seu uso irresponsável e prejudicial. A divulgação de tratamentos sem comprovação científica é proibida pela legislação e representa um grave risco à saúde pública.
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A importância da ciência e a necessidade de ações conjuntas
O posicionamento da Associação Médica Brasileira contra o uso de medicamentos ineficazes na prevenção e tratamento da Covid-19 é crucial, embora tardio. O Dr. Estrogoff critica o negacionismo e a politização do combate à pandemia, enfatizando a necessidade de seguir a ciência e adotar medidas eficazes como a vacinação em massa. O atraso na implementação de medidas preventivas e no acesso à vacinação no Brasil contribuiu para a gravidade da situação atual. A falta de ações conjuntas entre os governos federal, estaduais e municipais agravou a crise, resultando em colapso do sistema de saúde, com leitos de UTI lotados e pacientes morrendo à espera de atendimento. A situação exige uma mudança radical na estratégia de combate à pandemia, com prioridade para testes, rastreamento, quarentena e vacinação, além de forte apoio econômico à população e às empresas.



