Economista Nelson Rocha Augusto aponta que a taxa ficou em um patamar positivo; ouça o comentário do colunista!
O IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, registrou alta de 0,16% em março, abaixo das expectativas do mercado. O resultado surpreendeu analistas acostumados a projeções entre 0,25% e 0,30% para o mês e reforça um cenário de desaceleração dos preços.
Inflação e perspectiva para a taxa de juros
Com o avanço mais lento dos preços, a inflação acumulada em 12 meses caiu para 3,93%, rompendo a barreira dos 4%. Para o mercado e para o próprio Banco Central, esse indicador reforça a convicção de que haverá mais um corte na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom — o que se somaria às seis reduções já realizadas até atrásra. A queda da Selic tende a reduzir o custo financeiro para empresas e famílias, ampliar o crédito e sustentar a atividade econômica.
Atividade doméstica em ritmo positivo
Outros sinais domésticos também vêm surpreendendo positivamente. O IBGE divulgou que as vendas no varejo em fevereiro subiram 1% frente ao mês anterior, desempenho bem acima da expectativa de queda de 0,9%. Fatores sazonais, como o Carnaval, podem ter influenciado, mas o conjunto de indicadores — exportações fortes, geração de empregos, arrecadação em alta e consumo em expansão — aponta para um ciclo conjuntural favorável ao crescimento em 2024. Permanecem, porém, riscos fiscais: o governo trava para ajustar gastos e a meta oficial é de déficit zero; analistas estimam um déficit entre 0,2% e 0,3% do PIB para o ano, um ponto de atenção importante.
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Cenário externo e reflexos no mercado
No exterior, a leitura foi mista e trouxe volatilidade aos mercados. Nos Estados Unidos, o CPI mensal saiu em 0,38%, acima da projeção de 0,30%, reforçando a ideia de que o Fed poderá adiar cortes de juros previstos para este ano — o que elevou taxas futuras, valorizou o dólar e pressionou bolsas, inclusive a brasileira. Já a China divulgou inflação mensal de 0,1%, nível baixo que, combinado com taxas de juros ainda reduzidas (próximas de 2%), favorece um ritmo de crescimento mais robusto; projetasse um PIB ao redor de 5% para 2024. Para o Brasil, a combinação de atividade externa resiliente nos principais parceiros comerciais é um fator positivo, dada a importância chinesa como comprador das exportações brasileiras.
Em síntese, o quadro econômico atual reúne sinais encorajadores: inflação controlada, consumo e emprego em melhora e apoio externo, desde que as finanças públicas sejam mantidas sob vigilância. A evolução dos próximos meses dependerá da manutenção dessas tendências e das decisões de política monetária no Brasil e no exterior.