Quem faz uma análise para os últimos meses do ano é Nelson Rocha Augusto na coluna ‘CBN Economia’
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil divulgou recentemente a ata de sua última reunião, Inflação, taxa de juros, crescimento do PIB: confira a projeção para o último trimestre!, na qual manteve a decisão de elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual. A medida reflete a continuidade do combate à inflação, que permanece elevada no país, apesar de sinais de desaceleração na economia global.
Contexto da decisão do Copom: A ata do Copom detalha as discussões entre os membros do comitê sobre o cenário econômico atual. Embora o Brasil apresente crescimento econômico e um mercado de trabalho apertado, com níveis próximos ao pleno emprego, o documento ressalta que o ambiente internacional oferece uma certa folga para o combate à inflação. Isso porque economias como a dos Estados Unidos e da China têm apresentado desaceleração no crescimento, levando suas autoridades monetárias a reduzirem as taxas de juros.
Apesar dessa conjuntura externa mais favorável, o Copom reforça que não abrirá mão da meta de inflação para 2024, estabelecida em 3%. A expectativa é que a inflação deste ano feche em torno de 4,2%, o que indica a necessidade de ajustes adicionais na política monetária, possivelmente com novos aumentos modestos na Selic.
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Desafios fiscais e impacto nas expectativas de inflação
Um dos pontos centrais da discussão no Copom foi a questão fiscal do país. O governo tem sinalizado a intenção de cumprir o chamado arcabouço fiscal, que visa o controle das receitas e despesas públicas. No entanto, o mercado financeiro demonstra ceticismo quanto à efetividade dessas medidas, o que pode desancorar as expectativas de inflação e dificultar o controle dos preços.
Diante desse cenário, o comitê optou por aguardar a divulgação de novos dados econômicos antes de tomar decisões futuras sobre a taxa de juros. Caso haja elevação, a expectativa é que seja em ritmo mais moderado do que o previsto por muitos analistas.
Produtividade e crescimento econômico: Em meio às preocupações inflacionárias e fiscais, há notícias positivas relacionadas à produtividade no Brasil. Projeções indicam um crescimento da produtividade na ordem de 3% para este ano, um dado relevante considerando que o país tem apresentado crescimento econômico modesto nas últimas décadas.
Esse aumento na produtividade é atribuído, em parte, a avanços tecnológicos e à reforma trabalhista de 2017, que tem gerado efeitos positivos no mercado de trabalho. O crescimento da produtividade amplia o Produto Interno Bruto (PIB) potencial do país, ou seja, sua capacidade de crescer sem pressionar a inflação. Isso pode reduzir a necessidade de elevações mais agressivas na taxa de juros.
O Brasil deve registrar um crescimento do PIB em torno de 3% em 2023, o que, aliado ao aumento da produtividade, indica um cenário econômico mais robusto, apesar das tensões fiscais e das incertezas globais.
Influência do cenário internacional e medidas na China
O cenário internacional também merece atenção, especialmente em relação à China, principal parceiro comercial do Brasil. Recentemente, o Banco Central Chinês anunciou uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros, o segundo corte desde o início do ano. Além disso, o governo chinês implementou um pacote robusto de estímulos ao crédito, com taxas mais baixas, focado em impulsionar o setor habitacional, que enfrenta dificuldades há mais de cinco anos.
Essas medidas visam ajudar a China a alcançar sua meta de crescimento anual de 5%, o que é positivo para o Brasil, já que o país exportou mais de 100 bilhões de dólares para a China no ano passado e deve superar esse valor em 2023. A recuperação da economia chinesa pode, portanto, beneficiar diretamente a economia brasileira por meio do aumento das exportações.
Informações adicionais
O acompanhamento dos indicadores econômicos, tanto domésticos quanto internacionais, é fundamental para a formulação das políticas econômicas no Brasil. A combinação de controle inflacionário, ajustes fiscais e estímulos à produtividade será decisiva para o desempenho econômico nos próximos anos. A próxima reunião do Copom, que definirá os rumos da taxa Selic, está prevista para ocorrer em breve, com expectativa de continuidade na política de juros cautelosa.