A análise é de José Carlos de Lima Júnior na coluna ‘CBN Agronegócio’
A conjuntura econômica global e as condições climáticas no Brasil criam um cenário desafiador para o agronegócio em 2021.
Impactos da redução de insumos pela China
A decisão da China de reduzir em 90% a oferta de fósforo, cílica e alumínio impacta diretamente no aumento de custos para os produtores brasileiros. Considerando que o Brasil já dependia fortemente da importação desses insumos, a situação se agrava, principalmente para o potássio, insumo fundamental para a preparação do solo, que já apresentava preços históricos em 2021. A alta nos preços não se limita aos custos de produção, mas também envolve o encarecimento do frete marítimo, devido à localização geográfica do Brasil e às características dos seus portos.
Clima adverso e seus reflexos
A estiagem prolongada no Brasil afeta significativamente a produção agrícola. Produtores relatam paralisação das atividades, aguardando chuvas previstas apenas para outubro. A incerteza climática se soma à dificuldade de aquisição de insumos, criando insegurança quanto ao recebimento dos produtos comprados, devido aos problemas de fornecimento vindos da China. Essa combinação de fatores resulta em produtores com apenas parte dos insumos necessários para suas plantações.
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Cenário econômico e perspectivas futuras
O cenário é agravado pela alta do dólar, inflação elevada e a expectativa de aumento da taxa Selic. A previsão de aumento nos juros, que pode chegar a 1,25%, impactará no encarecimento do crédito e na redução de investimentos. A instabilidade política e a proximidade das eleições contribuem para um quadro de incertezas. Embora se espere uma diminuição da inflação para 2022, a perspectiva para 2023 é de alto custo social, com possíveis reduções de investimentos e postos de trabalho.