Notas com marcações a caneta foram encontradas em um cofre no apartamento do proprietário da Atmosphera, Marcelo Plastino
Uma operação da Polícia Federal em Ribeirão Preto revelou um esquema de corrupção que envolve o empresário Marcelo Plastino, 11 vereadores e 3 ex-secretários municipais. As investigações começaram com a apreensão de um cofre no apartamento de Plastino, em 1º de setembro, contendo uma pistola calibre 380, munições e cédulas de R$ 2 com anotações manuscritas no verso, que a polícia acredita serem registros de propina.
Propina e Siglas
As anotações nas cédulas continham siglas que, após análise da Polícia Federal, foram associadas a diversos políticos. A investigação utilizou interceptações telefônicas, apreensões, depoimentos e monitoramento da Operação Cervandígia para decifrar as siglas e identificar os destinatários da propina, que teria sido paga entre abril e atrássto. Entre os citados estão Rodrigo Simões, Paulo Modas, Maurício Gasparini, Samuel Zanferdini, Capela Novas, Maurílio Romano e Bebé. A polícia também investiga a ligação de Jenny Valdugomes (ou G-ló) e Luquesi (braço direito de Darcivera) com o esquema. Outros nomes mencionados são Ângelo Invernizzi, Marco Antônio dos Santos (referência a Sandro Rovani), e o candidato Ricardo Silva, todos negando o recebimento de valores.
Implicações Políticas e Reações
O especialista político Gilberto Musto avalia as consequências do escândalo como gravíssimas, especialmente em época eleitoral. Ele prevê uma forte rejeição do eleitorado aos políticos envolvidos e alerta para a ineficiência das políticas públicas enquanto os envolvidos não forem afastados de seus cargos. A população, segundo Musto, é quem arca com as consequências da corrupção, sofrendo com atrasos em projetos e falta de aprovação de leis. A Atmosfera, empresa suspeita de ter sido beneficiada em licitações da prefeitura por mais de 26 milhões de reais e de ter intermediado a contratação de mais de 500 funcionários terceirizados, também está sob investigação.
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Desdobramentos e Defesas
O Ministério Público e a Polícia Federal apontam Plastino e a Atmosfera como instrumentos de compra de apoio político na prefeitura de Ribeirão Preto. O promotor do Gaeco, Marcel Lombardi, destaca a importância da fiscalização do executivo pelo legislativo e critica a aliança entre vereadores e o poder executivo em troca de benefícios. Ricardo Silva afirma que todas as doações de campanha foram declaradas à Justiça Eleitoral e nega qualquer envolvimento com Plastino ou a Atmosfera. Paulo Modas e Rodrigo Simões também negam qualquer relação com o esquema. Marcelo Plastino ainda não foi ouvido pela Polícia Federal sobre as cédulas, segundo seu advogado, Júlio Moçim.



