Prática, que não tem a segurança da inseminação artificial, é extremamente arriscada à saúde; médico explica
A inseminação caseira tem ganhado popularidade entre casais homoafetivos femininos e mulheres que optam pela maternidade solo. Nesse método, ‘Inseminação caseira’ reúne mulheres em grupos, o sêmen é obtido diretamente de doadores encontrados em redes sociais, escolhidos com base em características físicas, como cor dos olhos, cabelo e etnia, sem a realização de exames médicos ou acompanhamento profissional.
Riscos biológicos e legais da inseminação caseira
O ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Anderson Mello alerta para os riscos dessa prática. A ausência de rastreamento para infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, sífilis e hepatites B e C, expõe a mulher a possíveis contaminações. Além disso, a falta de avaliação clínica e genética do doador aumenta o risco de transmissão de doenças genéticas e cromossômicas. Do ponto de vista legal, há possibilidade de o doador ser acionado futuramente para reconhecimento e custeio da criança, caso sua identidade seja conhecida.
Procedimento em clínicas de reprodução humana: Nas clínicas especializadas, a inseminação é realizada sob supervisão médica, com exames rigorosos para os doadores, incluindo sorologias, cariótipo e avaliação genética, além de análises clínicas e emocionais. O procedimento é sincronizado com o ciclo ovulatório da mulher para aumentar as chances de sucesso. O anonimato do doador é garantido por lei no Brasil, exceto em casos de doação entre parentes. Contratos e termos de consentimento são assinados para assegurar os direitos e deveres das partes envolvidas.
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Taxas de sucesso e acesso pelo sistema público: A taxa média de sucesso da inseminação intruterina varia conforme a idade e a reserva ovariana da mulher. Mulheres até 35 anos apresentam entre 10% e 15% de chance de gravidez na primeira tentativa, podendo chegar a 40% a 50% até a terceira tentativa. O procedimento é oferecido gratuitamente em alguns hospitais públicos, como o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, mas o tempo de espera é elevado devido à alta demanda, especialmente quando comparado à fertilização in vitro.
Entenda melhor
No Brasil, a doação de sêmen deve respeitar o anonimato e ser realizada em clínicas credenciadas, com exames completos para garantir a saúde da receptora e do futuro bebê. Doações não anônimas são permitidas apenas entre parentes até o quarto grau. Embora a inseminação caseira seja uma alternativa financeiramente mais acessível, apresenta riscos significativos biológicos, legais e éticos que devem ser considerados antes da decisão.



