O Instagram anunciou que vai passar a notificar pais e responsáveis quando adolescentes fizerem buscas insistentes por termos relacionados a suicídio ou automutilação dentro da plataforma. A medida busca reforçar ações de prevenção e permitir uma intervenção mais rápida antes que situações de risco se agravem.
Em entrevista ao Mundo Digital, na CBN, o professor Eduardo Soares explicou que a proposta é sair de uma atuação apenas reativa, baseada na remoção de conteúdos, e avançar para um modelo mais preventivo. O sistema analisa padrões de comportamento, como repetição de buscas e tempo de exposição a conteúdos sensíveis, e sugere recursos de apoio, além de alertar os responsáveis, desde que haja concordância do adolescente.
Segundo o colunista, a iniciativa surge em meio a uma pressão global sobre as plataformas digitais, após estudos e reportagens apontarem que redes sociais podem amplificar conteúdos sensíveis, principalmente entre jovens. Países como Estados Unidos, Reino Unido e Austrália já discutem ou adotam medidas semelhantes. No Brasil, ainda não há data para a implementação.
Eduardo Soares destacou que a ferramenta tem limites e não substitui o diálogo familiar. Ele alertou para riscos de falsos positivos e questões de privacidade, reforçando que a tecnologia deve ser aliada, e não solução única. O especialista também chamou atenção para o crescimento do chamado “burnout digital” entre adolescentes e defendeu práticas de higiene digital, com uso equilibrado do celular, acompanhamento dos pais e conversas abertas sobre saúde mental.