Ao todo 12 regiões foram averiguadas pelo IPCCIC, Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais
Ribeirão Preto enfrenta um grave déficit habitacional, um problema crônico que afeta diversas comunidades da cidade. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Cidades Criativas e Identidades Culturais (IPCC) analisou o perfil dos moradores de 12 regiões, representando um universo de 96 núcleos na cidade, revelando dados surpreendentes.
Surpreendente Perfil dos Moradores
A pesquisa, que contou com a participação da arquiteta e urbanista Vera Lúcia Blá Milorini, desvendou que 60% dos moradores dessas comunidades são nativos de Ribeirão Preto, contrariando a expectativa de que a população fosse majoritariamente composta por migrantes. Essa constatação aponta para um problema local de déficit habitacional, e não apenas um reflexo de desequilíbrios de outras regiões.
Realidade Social e Necessidades
O estudo também revelou que 60% dos moradores são mulheres, muitas delas mães com um a três filhos. Em relação à renda, apenas 13% possuem empregos formais, e 90% recebem até dois salários mínimos. Essa realidade evidencia a precariedade das condições de vida e a necessidade de políticas públicas eficazes.
Ações da Prefeitura e Desafios para o Futuro
A pesquisa destaca a falta de uma secretaria de habitação e a ausência de um departamento específico dentro da secretaria de planejamento como fatores que agravam a situação. O secretário de planejamento, Edson Ortega, reconhece o aumento das moradias clandestinas e afirma que a prefeitura trabalha na regularização de 35 comunidades, beneficiando inicialmente cerca de 5 mil pessoas. Mais de 1.600 moradias populares já foram entregues pela atual gestão, e a prefeitura também identifica áreas urbanas desabitadas para novos projetos. Apesar dos esforços, a demanda, representada pela lista de espera da COHAB com 62 mil nomes, demonstra a magnitude do desafio a ser enfrentado em Ribeirão Preto.
A pesquisa do IPCC traz à tona a complexidade do problema habitacional em Ribeirão Preto, evidenciando a necessidade de um trabalho integrado entre os gestores públicos, com foco em soluções de longo prazo que contemplem as reais necessidades das comunidades e evitem a remoção sem a garantia de alternativas adequadas de moradia e trabalho.



