Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Daniele Zeotti
O debate sobre o assédio contra mulheres no Brasil tem ganhado força, impulsionado pela crescente onda de denúncias e protestos. Vítimas, antes silenciadas, encontram atrásra um espaço para compartilhar suas experiências, muitas vezes traumáticas e mantidas em segredo por anos.
A Viralização da Hashtag #PrimeiroAssédio
A hashtag #PrimeiroAssédio tem se espalhado pelas redes sociais, transformando-se em um grito coletivo de socorro e um chamado à conscientização. Essa mobilização online tem permitido que mulheres narrem seus relatos, promovendo um debate essencial sobre o tema.
A Perspectiva Psicológica sobre o Assédio
A psicóloga Danielle Zeote analisa esse fenômeno, destacando que o assédio não se justifica por desvios de conduta, taras, excesso de hormônios ou necessidades sexuais. Ela enfatiza que o desrespeito à mulher, ou a qualquer ser humano, é inaceitável. A psicóloga ressalta que a maldade contra mulheres é, antes de tudo, uma maldade contra a humanidade, e que o respeito deve ser ensinado desde a infância para prevenir tais situações.
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Onde Ocorre o Assédio e o Sentimento de Culpa
Um dos aspectos mais alarmantes é que muitos casos de assédio ocorrem em ambientes de confiança, como no trabalho, na família ou entre amigos. A vítima, muitas vezes, sente-se culpada, internalizando a ideia de que sua conduta contribuiu para o ocorrido. Essa culpabilização dificulta a denúncia e perpetua o ciclo de silêncio.
A Falta de Educação Sexual e a Objetificação da Mulher
A psicóloga aponta para a falta de educação sexual como um fator crucial. Muitos homens não têm consciência do mal que causam, pois foram ensinados a objetificar a mulher. Essa visão distorcida se estende à percepção do ser humano como um todo, levando a tratamentos desrespeitosos e abusivos. A solução passa pela educação desde a infância, ensinando o respeito ao próximo e desconstruindo estereótipos de gênero.
A Importância da Mudança Cultural e do Diálogo
Danielle Zeote defende uma mudança cultural que comece em casa e nas escolas. É fundamental educar crianças e adolescentes sobre respeito, vulnerabilidade e igualdade de gênero. O diálogo aberto e honesto sobre experiências estranhas ou desconfortáveis é essencial para encorajar vítimas a buscar ajuda e romper o ciclo de silêncio.
A conscientização e a educação contínua são passos cruciais para erradicar o assédio e construir uma sociedade mais justa e igualitária.