Pesquisador da Fiocruz, Rodrigo Stabeli, dá dicas de como se prevenir de gripes e resfriados; ouça a coluna ‘Com Ciência’
O pesquisador titular da Fiocruz, Inversão térmica, tempo seco, ambientes fechados… condições influenciam doenças respiratórias, Rodrigo Estábile, alertou sobre o aumento dos casos de vírus respiratórios durante o inverno, período caracterizado por temperaturas baixas e clima seco, que favorecem a propagação dessas infecções. Segundo ele, a diminuição da umidade no ar provoca ressecamento das vias aéreas, aumentando a vulnerabilidade a doenças respiratórias.
Antecipação da vacinação contra influenza
O Ministério da Saúde antecipou a campanha de vacinação contra a influenza devido ao aumento das taxas de infecções respiratórias. Estábile destacou que, durante dezembro de 2023 e início de janeiro de 2024, houve uma perda da sazonalidade típica dessas doenças, o que resultou em maior circulação viral fora do período habitual. A vacinação é considerada a medida mais eficaz para prevenir casos graves dessas infecções.
Cuidados para prevenção e proteção: Além da vacinação, o pesquisador enfatizou a importância da hidratação, recomendando o consumo de água, sucos e chás para manter as mucosas lubrificadas e reduzir o risco de infecções. Ele também orientou o uso de máscaras e o isolamento domiciliar em caso de sintomas gripais, como dores no corpo e cansaço, para evitar a transmissão dos vírus para outras pessoas.
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Vulnerabilidade das crianças e cuidados nas escolas: Estábile ressaltou que crianças são particularmente suscetíveis a vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório (VSR), que pode causar broncoespasmos e dificuldades respiratórias, podendo levar à internação. A interação em ambientes fechados, como escolas e creches, favorece a disseminação dos vírus. Por isso, é importante que crianças com sintomas gripais permaneçam em casa até a recuperação, evitando surtos nas instituições de ensino.
Situação no Rio Grande do Sul e riscos adicionais: O pesquisador também comentou sobre a situação no Rio Grande do Sul, onde houve enchentes que afetaram cerca de um milhão e meio de pessoas, muitas das quais perderam suas casas e estão vulneráveis a doenças. Ele mencionou a preocupação com a leptospirose, que tem apresentado casos suspeitos devido ao contato com lama e objetos contaminados. O Ministério da Saúde está realizando campanhas de prevenção para orientar a população sobre cuidados ao retornar às residências.
Além disso, Estábile destacou a importância do cuidado com a saúde mental dos profissionais que atuam nas frentes humanitárias, recomendando períodos de descanso para evitar o desgaste emocional.
Manutenção da vigilância contra dengue
Apesar da redução das chuvas, o pesquisador alertou que os casos de dengue ainda podem ocorrer, inclusive os graves, devido à sobrevivência do mosquito Aedes aegypti em temperaturas amenas. O ciclo de incubação do vírus e a longevidade do mosquito fazem com que a transmissão continue por algumas semanas após a chegada do frio, mantendo a necessidade de cuidados para eliminar criadouros e evitar a proliferação do vetor.
Entenda melhor
O inverno no Brasil, caracterizado por clima frio e seco, favorece a propagação de vírus respiratórios devido ao ressecamento das vias aéreas. A vacinação contra influenza e Covid-19 é fundamental para reduzir casos graves. Crianças são grupo de risco e devem ser mantidas em isolamento domiciliar quando apresentarem sintomas gripais para evitar surtos. Em áreas afetadas por enchentes, como o Rio Grande do Sul, o risco de leptospirose aumenta, exigindo cuidados redobrados. A dengue permanece uma ameaça mesmo com a chegada do frio, devido à sobrevivência do mosquito transmissor.