Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Caetano Cury
A juíza Isabel Cristina Alonso dos Santos Bezerra, da 2ª Vara do Júri e das Execuções Criminais, deve decidir hoje sobre o pedido de revogação da prisão temporária de Guilherme Longo, feito na última quinta-feira. A magistrada havia negado o primeiro pedido de prisão do casal no dia 7. Paralelamente, o delegado Paulo Henrique Martins de Castro aguarda para hoje a quebra dos sigilos telefônicos do casal e de seus familiares mais próximos.
Investigação e Quebra de Sigilo Telefônico
O objetivo da quebra de sigilo é verificar se Natália e Guilherme fizeram ligações durante a madrugada em que o desaparecimento de Joaquim foi comunicado. Dependendo do conteúdo das ligações, o advogado poderá solicitar um novo depoimento de Dimas Longo, pai de Guilherme, o padrasto de Joaquim.
Relatos de Maus-Tratos e Defesa
A psicóloga Natália Longo, mãe de Joaquim, relatou à polícia em seu último depoimento que Guilherme já havia maltratado a criança em casa. A EPTV teve acesso às declarações da mãe, onde ela relata um episódio em que Joaquim teria urinado na cama e Guilherme, para castigá-lo, teria colocado o menino de roupa embaixo do chuveiro. O advogado de Guilherme Longo, Antônio Carlos de Oliveira, confirma o fato, mas alega que o padrasto teria colocado Joaquim no chuveiro por outro motivo: a criança não queria tomar banho e, com o consentimento de Natália, ele o teria feito dessa forma. O advogado nega que tenha havido castigo e afirma que Natália e seus familiares sempre retrataram Guilherme como carinhoso com Joaquim.
Análise Psicológica e Implicações Legais
O advogado Alexandre Durante, que representa o pai do menino, lembrou que Natália é psicóloga e deveria ter percebido que o comportamento de Guilherme poderia representar riscos. O psicólogo e professor da USP, Sérgio Codato, reforçou que Natália não poderia ter se envolvido com um paciente em recuperação, caracterizando uma quebra da ética profissional. O jornalista Saulo Gomes, especialista em investigações policiais, comparou o caso com crimes praticados sob efeito de álcool no passado, quando a embriaguez era considerada um atenuante. Atualmente, o uso de drogas ou álcool pode ser considerado um agravante, indicando que o indivíduo se colocou intencionalmente em uma situação que facilitaria a prática do crime. Sérgio Codato também explicou a grande repercussão do caso, destacando que a imagem de uma criança como Joaquim evoca a esperança e o futuro, e um crime familiar como este gera um choque profundo na sociedade.
O delegado Paulo Henrique Martins de Castro deve receber o laudo do IML ainda hoje, e há previsão de que Natália Ponte seja novamente ouvida nesta segunda-feira.



