Declaração foi dada por Luiz Felipe Naves Lima em delação premiada; mulher foi beneficiária em processo quando ela tinha um ano
Um esquema de fraude judicial milionário envolvendo um escritório de advocacia foi desmantelado pela Operação Temes. A investigação revelou a utilização de métodos fraudulentos para obtenção de lucros ilegais, com a participação de advogados e funcionários.
Funcionários como vítimas: o ardil da fraude
Segundo depoimento de Luiz Felipe Naves Lima, ex-estagiário do escritório e colaborador da justiça, os advogados utilizavam dados de correntistas obtidos por meio de microfilmes bancários para ajuizar ações em nome de pessoas vulneráveis, muitas vezes sem o conhecimento destas. Um caso emblemático envolveu uma funcionária do escritório que, na época dos fatos (final da década de 1980), era uma criança de apenas um ano de idade. As vítimas, geralmente pessoas com nome negativado e de baixa renda, eram convencidas a assinar documentos sem entenderem o real significado e os benefícios para os advogados.
O esquema de captação e o envolvimento político
O esquema se baseava na captação de pessoas simples, com problemas financeiros, prometendo-lhes altos valores a receber em ações judiciais. Naves Lima relatou que, em alguns casos, os advogados inflacionavam o valor a ser recebido, chegando a multiplicar o valor real por 20 vezes. A investigação também aponta para um possível envolvimento do vereador Isaac Antunes, que, segundo depoimentos, estaria ligado ao escritório por meio de campanhas eleitorais e distribuição de materiais de campanha. Embora Antunes negue envolvimento, o ex-estagiário afirma ter visto o vereador usando camisetas de campanha em eventos relacionados ao escritório.
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Consequências e desdobramentos
O escritório de advocacia Lodoli, Caroprizu, Basu e Vidal Sociedade teve suas atividades suspensas, e seus advogados foram presos. A justiça bloqueou milhões em contas bancárias e bens dos envolvidos. Além disso, foram ajuizados mais de 83.300 processos (incluindo ações e recursos) em São Paulo, Minas Gerais e outros estados. Os investigados também respondem a procedimentos ético-administrativos na Ordem dos Advogados do Brasil. A investigação continua, buscando esclarecer todos os detalhes do esquema e as responsabilidades de cada um dos envolvidos.



