Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
O pré-sal, descoberto há alguns anos no Brasil, trouxe consigo uma nova perspectiva para a produção de petróleo. No entanto, essa descoberta impactou negativamente outros combustíveis, como o etanol. Um relatório recente da FAO e da OCDE aponta que a descoberta do pré-sal não foi benéfica para o etanol brasileiro.
O Impacto do Pré-Sal no Etanol
A descoberta do pré-sal, em 2007, coincidiu com um período de grandes investimentos no setor de etanol. Em 2005 e 2006, o governo incentivou a produção de etanol, visando um novo momento na história da humanidade com os biocombustíveis. Empresários investiram em novas plantas industriais, com o objetivo de atender à demanda do mercado americano. No entanto, a descoberta do pré-sal e a crise econômica de 2008 mudaram o cenário.
Crise e Incentivos Governamentais
Com a crise, o preço do petróleo despencou, tornando a exploração do pré-sal menos interessante. O governo, buscando fomentar o consumo interno, implementou incentivos que acabaram prejudicando o etanol. Ao invés de incentivar a exportação, o foco se voltou para o consumo interno, com créditos para a população. Ao mesmo tempo, o preço da gasolina foi controlado para evitar inflação, o que impactou diretamente o preço do etanol, que é atrelado à gasolina em 70%.
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O Preço da Gasolina e a Viabilidade do Etanol
Entre 2009 e 2014, o preço do petróleo se recuperou, mas o preço da gasolina permaneceu controlado. Essa medida dificultou a comercialização do etanol, que enfrentou a barreira do preço da gasolina. Enquanto a Petrobras foi prejudicada pelo controle do preço da gasolina, o setor sucroenergético sofreu com a falta de viabilidade do etanol.
Apesar dos desafios, o setor busca alternativas para se manter competitivo e relevante no mercado de combustíveis.