Economista Nelson Rocha Augusto comenta sobre esse cenário e onde estão esses investimentos na coluna ‘CBN Economia’
O panorama do investimento no Brasil começa a registrar sinais de mudança, segundo avaliação de Nelson Rocha, comentarista do quadro de economia da CBN. Dados do fim do ano passado e do início de 2025 apontam uma retomada do investimento privado, impulsionada por um ambiente macroeconômico mais favorável.
Sinais de retomada do investimento privado
Rocha destaca que a manutenção da inflação sob controle, a redução das taxas de juros, a valorização do emprego e o crescimento da massa salarial criaram um horizonte de cálculo mais seguro para empresas e investidores. Esses fatores, somados à expansão do crédito, têm favorecido decisões de aplicação de capital que, até então, estavam postergadas.
Os números do último trimestre do ano passado e do primeiro bimestre de 2025 mostram avanços concretos em diferentes setores, tanto em investimentos já realizados quanto em anúncios de aportes futuros.
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Setores que puxam os aportes
Entre os destaques estão as montadoras, que recentemente anunciaram planos de investimento robustos para os próximos quatro ou cinco anos, com vultos da ordem de dezenas de bilhões de reais. O saneamento básico também aparece em evidência, impulsionado pelo marco regulatório que trouxe maior segurança jurídica ao setor e retomou projetos que estavam estagnados.
A construção civil tem se beneficiado da redução das taxas de juros, o que estimula financiamentos e obras. Paralelamente, o desempenho das exportações brasileiras segue favorável, com a balança comercial batendo recordes no primeiro bimestre, reforçando o cenário positivo para a economia.
Limites do investimento total e papel do setor público
Apesar do otimismo quanto ao avanço privado, Rocha alerta para um limite importante: o investimento total da economia brasileira permanece baixo. Em 2024, a formação bruta de capital fixo navegou entre 16,5% e 17% do PIB, patamar distante dos mais desejáveis. Para uma trajetória mais robusta de crescimento, o índice precisaria superar os 20% do PIB.
Uma parte do problema está na capacidade de investimento do setor público. Cerca de 40% da economia é representada por despesas e ações da União, estados e municípios, cuja margem orçamentária para investimentos permanece reduzida. Os aportes públicos costumam induzir e acompanhar o investimento privado, mas, no momento, essa ancoragem está fragilizada.
Em resumo, o ambiente macroeconômico mais estável já vem atraindo investimentos privados e devolvendo sinais positivos à economia, embora a recuperação do volume total de investimentos dependa também de uma maior capacidade de atuação do setor público.