Desentendimento com a família e vícios são as principais causas que levam as pessoas às ruas
Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que quase metade das pessoas em situação de rua no Brasil vive na região Sudeste, com São Paulo concentrando o maior número: cerca de 102 mil pessoas em todo o país. A falta de um censo oficial dificulta a precisão desses dados.
Desafios em Ribeirão Preto
Em Ribeirão Preto, a diretora do Departamento Social e Especial, Marlene Domingos, destaca que a população em situação de rua é majoritariamente masculina. Apesar da existência do Centro de Referência ao Morador em Situação de Rua, muitos preferem não utilizá-lo devido às regras impostas. Para incentivar a procura, o serviço está passando por reformulações. “Dismistificar o que está sendo ofertado tem sido um desafio”, afirma Marlene. “Eles conhecem um modelo de serviço que não querem mais acessar devido a questões no espaço físico e regras que não desejam seguir.”
Causas da Situação de Rua: Migração e Omissão do Estado
O filósofo Gerson Leite de Moraes analisa o fluxo migratório para as grandes cidades como um fator contribuinte. Muitos buscam melhores condições de vida, mas sem emprego, acabam nas ruas, muitas vezes dependentes de álcool e drogas. O processo de urbanização acelerado em São Paulo, impulsionado pela industrialização, contribuiu para o crescimento da população de rua. Moraes critica a omissão do Estado, que não oferece atenção adequada a essa população. “O Estado se omite e fecha os olhos para essas pessoas”, afirma o filósofo, ressaltando que sem intervenção, a situação não mudará.
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Números e Realidades em Ribeirão Preto
Em Ribeirão Preto, o atendimento a moradores de rua é terceirizado, e os dados mais recentes da prefeitura datam de 2013, apontando pouco mais de 450 pessoas em situação de rua, sendo 95% dependentes químicos, 72% sem documentos e mais da metade de outros municípios. Falta de dinheiro e conflitos familiares também são fatores relevantes. Um morador de rua entrevistado resume sua situação: “Fiquei desempregado e não tinha lugar para pagar aluguel. Morar com o padrasto não ia dar certo também. Quero mudar. Vamos ver se Deus ajudar.”
O governo estadual afirma que a responsabilidade por programas de assistência a moradores de rua cabe aos municípios, cabendo ao Estado apenas o repasse de verbas. O Centro de Referência em Ribeirão Preto (Cetrem), com capacidade para 150 pessoas por dia, busca auxiliar nessa questão.



