Economista Alexandre Nicolella falou à CBN Ribeirão
O governo federal anunciou a recomposição gradual das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para diversos eletrodomésticos e móveis, medida que impactará diretamente o bolso do consumidor e a dinâmica do mercado. A decisão, justificada pela recuperação da economia, levanta questionamentos sobre seus efeitos reais na produção, nas vendas e na inflação.
Impacto no Bolso do Consumidor
A partir de outubro, os consumidores sentirão no bolso o aumento do IPI em produtos como refrigeradores (de 8,5% para 10%), tanquinhos (de 4,5% para 5%) e fogões (de 3% para 4%). Embora o imposto sobre máquinas de lavar tenha sido mantido em 10%, a elevação geral das alíquotas tende a encarecer esses itens, impactando o poder de compra da população. O programa Minha Casa Melhor, que subsidia a aquisição de eletrodomésticos e móveis para beneficiários do Minha Casa Minha Vida, pode atenuar parte desse impacto, mas não o elimina completamente.
Repercussões no Mercado e na Indústria
A recomposição do IPI gera incertezas no setor produtivo. Segundo o economista Alexandre Nicolela, a medida pode levar a uma retração no consumo de eletrodomésticos, móveis e painéis de madeira. A indústria, por sua vez, poderá sentir o impacto da menor demanda. Nicolela ressalta que, embora o aumento não seja imediato nos preços (especialmente para produtos em estoque), a tendência é de que o repasse ocorra gradualmente, à medida que os estoques se esgotem.
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Inflação e Estratégias para o Consumidor
O aumento do IPI pode exercer uma leve pressão sobre a inflação, embora seu impacto não deva ser significativo, já que a inflação é influenciada por diversos outros fatores. Para os consumidores que planejam adquirir eletrodomésticos, a recomendação é pesquisar preços, negociar e, se possível, antecipar a compra, aproveitando os estoques com alíquotas mais baixas. No entanto, é fundamental manter o equilíbrio financeiro e evitar compras impulsivas.
A recomposição do IPI representa um desafio para o governo, a indústria e os consumidores. Resta acompanhar de perto os próximos meses para avaliar os efeitos reais dessa medida na economia brasileira.



