Danielle Zeoti explica que os afetos têm muita influência na hora de definir um candidato, o que pode ser um comportamento ruim!
A relação entre política e psicologia é estreita e fundamental para compreender o comportamento dos eleitores durante campanhas eleitorais. Daniela Zeote, Já parou para pensar na relação entre política e psicologia? Se não, saiba que elas têm tudo a ver!, especialista no assunto, explica que a psicologia social oferece ferramentas para analisar como as pessoas são influenciadas por campanhas, candidatos e informações, incluindo as fake news.
Segundo Daniela, a maioria das campanhas eleitorais utiliza apelos emocionais para conquistar o eleitorado. Ela destaca que adultos aprendem e se envolvem mais quando a mensagem toca o lado afetivo, pois memórias formadas na idade adulta são impregnadas por emoção. Um dos principais apelos utilizados é o medo, que se manifesta em campanhas que alertam para a perda de benefícios ou para crises econômicas, de saúde e segurança caso determinado candidato não seja eleito.
“Campanhas utilizam a teoria do medo, mostrando ameaças de perder benefícios ou enfrentar crises caso o candidato oposto vença”, explica Daniela.
Além do medo, há também o apelo à esperança, em que o candidato se apresenta como a solução para um futuro melhor. Essa dualidade entre o medo e a esperança cria um embate emocional intenso no eleitor, que oscila entre o temor da catástrofe e a expectativa de renovação.
Outro fenômeno observado nas campanhas recentes é a polarização, que divide a população em dois polos opostos, classificando um lado como o bem e o outro como o mal. Essa estratégia busca unir o maior número possível de pessoas contra um inimigo comum, geralmente o candidato adversário. Para isso, as campanhas destacam as falhas e erros do oponente, reforçando a imagem negativa.
“A polarização é uma das nuances mais perigosas das campanhas políticas, pois cria um ambiente de tensão e antagonismo”, alerta Daniela, citando o exemplo histórico da ascensão de Hitler, que utilizou o inimigo comum para mobilizar uma nação.
Daniela também chama atenção para o impacto das fake news no processo eleitoral, especialmente em períodos finais de campanha. Ela recomenda que os eleitores verifiquem a origem das informações e busquem múltiplas fontes confiáveis antes de formar uma opinião ou tomar uma decisão de voto.
Para escolher um candidato de forma consciente, Daniela sugere que o eleitor reconheça suas próprias emoções e crenças, evitando decisões baseadas exclusivamente em polarizações simplistas entre heróis e vilões. Ela ressalta que a realidade é complexa e que as pessoas possuem características mistas, com aspectos positivos e negativos coexistindo.
“Se você procura fora algo que seja só lindo, positivo e heróico, está se enganando. É importante entender que somos um misto de tudo isso”, afirma Daniela.
Além disso, a especialista recomenda que o eleitor concentre-se nas propostas dos candidatos, e não em suas personalidades ou características físicas. Ela destaca que carisma é uma habilidade que pode ser aprendida, assim como outras características comportamentais, e que a escolha baseada em estereótipos pode ser superficial e enganosa.
Outro ponto importante é o gerenciamento da ansiedade durante o processo eleitoral. Daniela orienta que o eleitor se informe, reflita e evite decisões impulsivas, para que o voto seja uma expressão consciente e responsável do seu papel na sociedade.
Glauci, que participou da conversa, concorda com a importância de um voto fundamentado e destaca que ainda há tempo para pesquisar e conhecer melhor os candidatos antes da votação, que ocorre no dia seguinte. Ela reforça que o voto é a principal ferramenta que o cidadão tem para promover mudanças, mesmo que elas sejam lentas e graduais.
“Saber dos seus direitos e deveres como cidadão faz parte de ter saúde mental. Ninguém tem saúde mental plena sendo totalmente alienado”, conclui Daniela.
Assim, a análise psicológica das campanhas eleitorais revela que o comportamento do eleitor é influenciado por fatores emocionais, sociais e cognitivos. Reconhecer esses mecanismos pode ajudar a promover uma escolha mais consciente, baseada em informações verificadas e na reflexão pessoal, contribuindo para o fortalecimento da democracia.